O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado recomendou uma nova intervenção federal no setor de segurança pública do Rio de Janeiro. O documento foi apresentado em 18 de abril de 2026, em meio ao avanço de facções criminosas e milícias no estado.
Motivação da recomendação
Os parlamentares afirmam que a capacidade operacional das polícias fluminenses se deteriorou e que o crime organizado passou a disputar território de forma inédita, envolvendo duas grandes facções rivais e grupos paramilitares. Segundo o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a situação deixou de ser “um problema de polícia” e tornou-se uma ameaça à soberania estadual, exigindo resposta federal “de grande magnitude”.
Experiência de 2018 como referência
A CPI sugere repetir o modelo aplicado entre fevereiro e dezembro de 2018, quando o governo federal assumiu o comando da segurança pública fluminense. Naquele período, foram investidos mais de R$ 1 bilhão em viaturas, armamentos e equipamentos. Policiais civis e militares receberam treinamento em logística para garantir manutenção da frota e compras de suprimentos.
Dados oficiais citados no relatório indicam que, durante a intervenção de 2018, os casos de latrocínio caíram 35%, enquanto roubos de cargas e de veículos também apresentaram forte redução. A letalidade violenta, após oscilar nos primeiros meses, encerrou o período com queda de 13% em relação ao ano anterior.
Interrupção das medidas
A intervenção foi encerrada em 1º de janeiro de 2019, com a posse do então governador Wilson Witzel. Embora a administração federal tenha repassado um plano de continuidade, Witzel abandonou a estratégia logística e priorizou operações policiais pontuais em comunidades, aponta o relatório.
Imagem: Antio Lacerda
Caminho para nova intervenção
Para que a recomendação da CPI seja efetivada, é necessário um decreto do Presidente da República e a aprovação do Congresso Nacional. O relatório, contudo, ainda não foi votado em plenário por causa de manobras regimentais articuladas pela base do governo. Até o momento, não há indicação de que o Executivo pretenda adotar a medida de imediato.
O documento sustenta que, sem uma ação federal abrangente, a população do Rio de Janeiro “permanece privada de liberdade” devido à influência do crime organizado nas instituições públicas.
Com informações de Gazeta do Povo
