Brasília — A direita brasileira segue na dianteira da disputa por engajamento nas plataformas digitais a dois anos das eleições de 2026. Com humor, memes e linguagem voltada ao público jovem, políticos conservadores acumulam seguidores e transformam deslizes de adversários em materiais virais de grande alcance.
Estratégia baseada em conteúdo informal
Ao contrário de publicações institucionais tradicionais, parlamentares e influenciadores de direita optam por formatos nativos das redes, como vídeos curtos, montagens e piadas de duplo sentido. Analistas observam que a criação de conteúdos é descentralizada: uma rede orgânica de criadores converte mensagens políticas em produtos fáceis de consumir e compartilhar, dispensando estruturas partidárias robustas.
Nikolas Ferreira lidera entre parlamentares
Com 22 milhões de seguidores no Instagram, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tornou-se a principal referência da geração Z de direita no país, ultrapassando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na plataforma. Entre políticos brasileiros, ele só fica atrás do ex-presidente Jair Bolsonaro, que mantém quase 27 milhões de seguidores.
O engajamento de Nikolas em mobilizações digitais chega a superar, em números de interações, eventos globais de entretenimento como a cerimônia do Oscar, destacam pesquisadores de comunicação política.
Dificuldades da esquerda
Especialistas apontam um descompasso geracional e cultural como principal obstáculo para a esquerda. Dirigentes mais velhos tendem a publicar conteúdos considerados “sisudos” ou excessivamente padronizados, que circulam com menos eficácia em ambientes que privilegiam espontaneidade e leveza.
Uso de gafes como munição política
Episódios pontuais viram combustível para a guerra de narrativas. Um dos casos mais explorados foi o vídeo em que a primeira-dama Janja aparece cozinhando uma paca, animal cuja caça é proibida. Editado em formato curto e irônico, o material circulou amplamente entre perfis conservadores, ampliando o desgaste governista.
Imagem: Bruno Spada
Tentativas de reação do governo
Para conter o avanço conservador, o Palácio do Planalto montou equipes próprias e estabeleceu parcerias com influenciadores. Entre as iniciativas recentes está o uso de inteligência artificial para produzir vídeos satíricos contra opositores. Mesmo assim, indicadores de seguidores e interações ainda permanecem distantes dos obtidos pela direita.
Faltando dois anos para a campanha eleitoral, a disputa pela atenção do eleitor nas redes sociais segue intensa, com conservadores mantendo larga vantagem em alcance e engajamento.
Com informações de Gazeta do Povo
