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Desembargadora do Pará chama limites a auxílios de “escravidão” apesar de receber R$ 44,4 mil líquidos

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, 74 anos, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), classificou as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pagamentos extras da magistratura como um “regime de escravidão”. A declaração foi feita durante sessão do tribunal e ganhou repercussão nas redes sociais nesta segunda-feira (20).

Salário e benefícios

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que a magistrada recebeu R$ 44.431,77 líquidos em fevereiro e acumulou R$ 227 mil em rendimentos no primeiro bimestre de 2026. Além da remuneração, ela dispõe de um automóvel híbrido zero-quilômetro com motorista exclusivo. O contrato prevê o modelo BYD King GS 2025/2026, avaliado em cerca de R$ 175 mil.

O TJPA gasta R$ 544 mil por mês para alugar 40 veículos e manter 40 motoristas destinados aos desembargadores. O acordo, firmado no fim de 2025 após a ampliação do número de membros da Corte de 30 para 40, tem valor total estimado em R$ 32,6 milhões ao longo de cinco anos.

Atuação em casos de destaque

No currículo da magistrada está a condução de etapas decisivas do julgamento do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em abril de 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos por policiais militares. Antes de uma das sessões, Eva removeu dos autos um laudo técnico da Unicamp que apontava, por análise de imagens, que os disparos partiram dos militares. Depois, pediu afastamento do processo.

Carreira na Justiça

Natural de Belém, Eva ingressou no Judiciário em outubro de 1985, após aprovação em concurso. Foi designada inicialmente para a comarca de Afuá e, ao longo dos anos, passou por Primavera, Conceição do Araguaia e Castanhal, até chegar à capital em 1994 para atuar em varas criminais.

Antes da magistratura, advogou em Belém e Marabá e trabalhou no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) na área de recursos humanos. Formou-se em Direito em 1980 pelo Centro de Estudos Superiores do Estado do Pará.

Passagem pela Justiça Eleitoral e premiações

Entre 2012 e 2016, integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), primeiro como membro substituto e depois efetivo, com atuação também como ouvidora eleitoral. Já no TJPA, participou do Conselho da Magistratura no biênio 2021-2023.

Em 2021, recebeu a Medalha Desembargador Ermano Rodrigues do Couto, grau Mérito Especial, “pela excepcional compostura profissional, técnica e ética”. Ao tomar posse como desembargadora em julho de 2020, declarou-se “pronta para o combate” e prometeu dedicação total ao tribunal.

O TJPA foi procurado para comentar as declarações da magistrada sobre dificuldades financeiras de colegas, mas ainda não se manifestou.

Com informações de Gazeta do Povo

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