Brasília — 30/04/2026. A recusa do Senado ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), redefiniu o foco da campanha de 2026 para a Casa. A derrota, considerada histórica, fortalece postulantes de direita comprometidos com pedidos de impeachment de ministros da Corte.
Messias tornou-se o sexto indicado ao STF rejeitado desde a proclamação da República e Lula passa a ser o segundo presidente a sofrer esse revés. O episódio expôs a tensão entre os Poderes e deu fôlego à estratégia do PL e de legendas aliadas, que buscam conquistar maioria no Senado a partir de 2027.
Alvo: 30 das 54 vagas em disputa
Dos 81 assentos, 54 estarão em jogo neste ano — dois terços da Casa. A meta do bloco conservador é garantir pelo menos 30 dessas cadeiras, somando-as ao terço remanescente já ocupado, para influenciar a escolha, ou eventual afastamento, de ministros do STF e comandar o Congresso.
De acordo com o advogado André Marsiglia, a recusa ao nome de Messias quebrou um padrão centenário de aprovações automáticas e torna “natural” que o Senado agora encare o impeachment de magistrados como próximo tabu a ser enfrentado.
Impacto eleitoral imediato
Para Adriano Cerqueira, professor de Ciências Políticas do Ibmec-BH, a votação contra Messias fortaleceu a oposição e aumentou o ceticismo de partidos de centro em relação a uma eventual reeleição de Lula. Esse cenário amplia a vulnerabilidade do governo justamente na Casa onde dispunha de maior proteção.
A percepção de desequilíbrio entre os Poderes, alimentada por críticas ao ativismo judicial e pelo caso Banco Master, conecta-se aos apelos por revisão das penas de envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. Esses temas passaram a compor o discurso de candidaturas conservadoras.
Nomes cotados e retaliações
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que se destacaram no processo, despontam como possíveis candidatos à presidência do Senado caso a direita alcance maioria.
Imagem: Andre Borges
Nos bastidores, avalia Marcus Deois, diretor da consultoria Ética, Lula estuda retaliar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — apontado como peça-chave na rejeição — com a exoneração de apadrinhados no Amapá, mas não haveria pressa para a medida.
Além disso, ameaças atribuídas ao ministro Gilmar Mendes contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) reforçaram a bandeira de controle do STF e a defesa da autonomia legislativa durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, quando colegas manifestaram solidariedade a Vieira.
Com pré-candidatos ao Senado e a governos estaduais entre os articuladores da derrubada de Messias, o episódio tende a ser explorado como símbolo de reação institucional nas campanhas que se aproximam.
Com informações de Gazeta do Povo
