São Francisco (EUA) – Em depoimento prestado na quinta-feira, 30, a um tribunal federal da Califórnia, Elon Musk reconheceu que a sua startup de inteligência artificial, a xAI, recorreu a tecnologia desenvolvida pela OpenAI para aprimorar o chatbot Grok.
A admissão ocorreu durante o interrogatório do processo movido pelo próprio Musk contra a criadora do ChatGPT. O bilionário sustenta que a OpenAI abandonou o compromisso original de disponibilizar seus avanços em código aberto, mas confirmou que a xAI “destilou” modelos da rival para acelerar o desenvolvimento interno.
Como funciona a destilação de modelos
A prática citada por Musk, conhecida como destilação, consiste em usar uma inteligência artificial mais robusta (o “professor”) para treinar outra menor e menos custosa (o “aluno”). Segundo o empresário, esse procedimento é comum na indústria; porém, especialistas apontam que o método pode esbarrar em questões de propriedade intelectual quando envolve sistemas de concorrentes.
Empresas como Google e Anthropic já adotaram barreiras técnicas para impedir o que classificam como “ataques de destilação”, argumentando que a técnica pode representar apropriação indevida de tecnologia.
Julgamento restringe temas e expõe doações
No quarto dia de audiências, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers proibiu qualquer menção a riscos existenciais da IA, determinando que o debate se limite a litígios contratuais e financeiros.
Também prestou depoimento Jared Birchall, gestor do patrimônio de Musk. Ele revelou que, entre 2016 e 2020, o empresário efetuou cerca de 60 doações à OpenAI, totalizando US$ 38 milhões (aproximadamente R$ 188 milhões). A defesa da OpenAI alega que os valores foram repassados por meio de fundos aconselhados por doadores (DAFs), o que retiraria de Musk o direito de influenciar o destino dos recursos.
Imagem: Frederic Legrand COMEO e Meir Chaimowitz Shutterstock
Pontos de controvérsia
Questionado, Musk negou que a Tesla esteja perseguindo a chamada Inteligência Artificial Geral (AGI), posição que contradiz declarações anteriores publicadas por ele na rede social X (antigo Twitter). A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI desde 2020, utilizou o interrogatório para indagar por que o bilionário somente agora considera a relação antiética.
O processo prossegue sem data definida para sentença.
Com informações de Olhar Digital
