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Lula diz que defenderá extinção das plataformas de apostas na campanha de 2026

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que levará para a campanha eleitoral de 2026 a proposta de acabar com as plataformas de apostas online, conhecidas como bets, apesar de o governo ter regulamentado o setor e já arrecadar bilhões de reais em tributos.

Em entrevista concedida na última semana à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Lula declarou que sempre foi contrário às apostas, mas sancionou a regulamentação há dois anos com a promessa de fiscalização rigorosa. “Se depender de mim, vou dizer durante a campanha: sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não prestam nenhum serviço de utilidade a este país”, afirmou.

Arrecadação bilionária

De janeiro a abril de 2026, as plataformas recolheram R$ 3,1 bilhões em impostos. Em todo o ano de 2025, o montante foi de R$ 9 bilhões, reforçando o caixa federal.

Críticas ao Congresso e à influência do setor

O presidente reclamou da força política e econômica alcançada pelas casas de apostas, especialmente entre deputados e senadores. Disse ainda que, sem apoio do Legislativo, o Palácio do Planalto não consegue pôr fim às operações. “Eu não sou dono do Brasil. Eu sou o presidente da República. Faço parte de um tripé de instituições que governam o país”, observou.

Lula comparou o debate atual sobre apostas à restrição de propagandas de cigarros no passado e citou a criação de uma secretaria específica no Ministério da Fazenda para ampliar a regulação do mercado, com novas medidas previstas até o fim deste ano.

Auditoria do TCU aponta falhas

As declarações ocorrem no mesmo momento em que auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou problemas graves no controle das apostas online:

  • 40% das plataformas em operação atuam de forma irregular, mesmo após a regulamentação federal;
  • até 51% dos jogos apresentam indícios de ilegalidade, como lavagem de dinheiro, manipulação de resultados esportivos e evasão fiscal;
  • sites bloqueados criam novos domínios e retomam as atividades rapidamente;
  • falta de monitoramento sistemático, baixa coordenação entre órgãos públicos e dificuldade para interromper transações financeiras das empresas não autorizadas;
  • adesão limitada de instituições financeiras às determinações de bloqueio, ausência de sanções efetivas e lentidão em processos administrativos.

O relatório do TCU concluiu que as medidas atuais não são suficientes para impedir a continuidade das operações ilegais e recomendou ações mais firmes de fiscalização e controle.

Com o tema ganhando espaço no debate público e na campanha de 2026, Lula reforçou que pretende enfrentar a resistência política para, segundo ele, proteger a população das irregularidades apontadas nos jogos de aposta.

Com informações de Gazeta do Povo

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