Brasília (DF) – O vendedor ambulante Ivan Pereira de Souza, de 45 anos, deixou o Complexo Penitenciário da Papuda na última quinta-feira (28/5) após permanecer 78 dias encarcerado no lugar de outra pessoa. A liberdade foi concedida depois de o Tribunal de Justiça do Pará reconhecer que a ordem de prisão cumprida no Distrito Federal se baseava em uma identidade falsa utilizada pelo cunhado de Ivan, já falecido.
Prisão durante viagem
Ivan foi detido em 7 de março, na Rodoviária Interestadual de Brasília, enquanto aguardava um ônibus para São Paulo, onde trabalharia vendendo produtos nas ruas ao lado da esposa. Policiais militares cumpriram um mandado expedido pela Justiça paraense que atribuía ao vendedor condenações definitivas por furto, receptação e roubo, totalizando 17 anos de pena.
No documento constavam nome completo, CPF, data de nascimento e filiação de Ivan, mas a fotografia anexada revelava outro homem: Kleber Luciano Rodrigues da Silva, ex-cunhado do vendedor, responsável pelos crimes e morto recentemente. Mesmo apontando a confusão já na delegacia, Ivan foi transferido para a Papuda e, em audiência de custódia, ouviu que poderia ser levado ao presídio de Belém.
Sofrimento no cárcere
Deficiente auditivo, o vendedor relata ter enfrentado medo constante de perder chamadas de seu nome, além de agressões físicas durante a triagem e no convívio com agentes penitenciários. Sem visitas familiares nos dois primeiros meses, também ficou sem itens básicos de higiene. “Cheguei a pensar em tirar a própria vida”, afirmou.
Para suportar a rotina, passou a fazer caminhadas, abdominais e flexões dentro da cela. Enquanto isso, a esposa arcava sozinha com as despesas da família, que vive de vendas ambulantes e tem quatro filhos e seis netos.
Imagem: Internet
Decisão judicial
Em 25 de maio, o juiz Deomar Alexandre de Pinho Barroso, do Tribunal de Justiça do Pará, reconheceu que “há elementos que indicam que Ivan […] é pessoa diversa da executada no processo”. Vídeos e fotos anexados ao processo mostraram diferenças de fisionomia e cor de pele entre o vendedor e o verdadeiro condenado, além da confirmação de erro material em diligências anteriores.
O alvará de soltura chegou três dias depois. “Quando o policial penal disse que meu alvará tinha chegado, comecei a chorar”, contou Ivan. Em Planaltina de Goiás, ele foi recebido pela família. Embora livre, diz lidar com traumas e pretende buscar reparação: “Sou pai de família trabalhador e fui humilhado sem dever nada”.
Com informações de Metrópoles
