São Paulo, 11 de junho de 2026 – O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), determinou o afastamento temporário do gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), Rodrigo Raveli Bolzan, após surgirem suspeitas de que ele mantém vínculo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme que retrata a carreira política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A medida foi tomada depois que a Controladoria-Geral do Município (CGM) abriu investigação para apurar a relação entre Bolzan e Karina. Segundo Nunes, o afastamento busca garantir transparência ao processo. “Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, não cometerei injustiça, mas também não serei omisso”, declarou o prefeito.
Apontamentos que motivaram a apuração
Reportagem do portal Metrópoles indicou que empresas e entidades vinculadas à produtora de Karina e ao ICB passaram a prestar serviços à prefeitura após a nomeação de Bolzan. Servidor de carreira da SPTuris desde 2005, ele era responsável por fiscalizar oito contratos da empresa municipal.
Entidade sob investigação
O Instituto Conhecer Brasil é alvo de inquérito da Polícia Civil paulista por suspeita de fraudes em contrato que começou em R$ 108 milhões e, após aditivos, alcançou R$ 157,1 milhões. Desse total, R$ 26 milhões teriam sido pagos sem comprovação de serviço. A investigação também analisa o repasse de R$ 1,3 milhão a uma empresa cujo sócio era dirigente do próprio instituto, dentro de convênio para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades de baixa renda da capital.
Posicionamento da prefeitura
Em nota, a administração municipal afirmou que o processo licitatório respeitou os princípios de legalidade, transparência e economicidade. Sobre o projeto de conectividade, informou que parecer jurídico emitido à época não identificou impedimentos formais.
Imagem: Wils Dias
Outros processos
Além das investigações em curso, o ICB responde a ação movida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) por supostas irregularidades em patrocínio de 2017. O Sesi cobra a devolução de R$ 1,3 milhão, apontando inconsistências na execução do projeto, entre elas a contratação de empresa sediada em Brasília para atuar na Bahia.
O afastamento de Rodrigo Raveli Bolzan permanecerá em vigor até que a CGM conclua a apuração.
Com informações de Gazeta do Povo
