Brasília, 11 de junho de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo dos Estados Unidos “mente” ao adotar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de falhas no combate ao desmatamento.
A declaração foi feita durante cerimônia na capital federal que apresentou queda de 61,4% nos alertas de desmatamento na Amazônia e de 12,2% no Cerrado em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025. “Vamos pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos que usa o desmatamento para punir o Brasil”, disse Lula.
Críticas recorrentes
O presidente retomou ataques a Washington uma semana após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciar a nova tarifa. Segundo Lula, o mesmo expediente já fora utilizado no ano passado, quando o Brasil recebeu sobretaxa de 50% sob a justificativa de déficit comercial. “Eles não sabem o que fazemos para chegar a desmatamento zero até 2030”, afirmou.
Investigação norte-americana
Aberta pelo USTR, a investigação alega deficiências crônicas na fiscalização ambiental brasileira, listando fraudes em Cadastros Ambientais Rurais (CAR), extração ilegal de madeira, conversão de áreas para pastagem e suposto suborno a agentes públicos. O relatório aponta que, entre 2023 e 2024, 91% do desmatamento na Amazônia e 51% no Cerrado teriam ocorrido de forma ilegal.
Pontos além do meio ambiente
Além do desmatamento, o inquérito norte-americano menciona possíveis práticas comerciais discriminatórias, como o uso do PIX – que, segundo o documento, prejudicaria empresas de pagamentos dos EUA – e temas como regulação de big techs, trabalho forçado e pirataria.
Imagem: Marcelo Camargo
“Guerra de narrativas”
Lula disse ter solicitado à equipe econômica um levantamento comparativo das condições de trabalho entre os dois países e classificou o embate como “guerra de narrativa”. Dirigindo-se ao ex-presidente Donald Trump, citou: “Você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos, não imperador do mundo”.
O chefe do Executivo reiterou que o Brasil tem “credibilidade” para dialogar sobre questões ambientais com qualquer nação ou bloco econômico.
Com informações de Gazeta do Povo
