Movimentações internas no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF) procuram definir quem será o relator de uma possível investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O debate ganhou força após a divulgação, em 15 de junho de 2026, de um áudio em que o parlamentar solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No diálogo, o senador apresenta o aporte de R$ 60 milhões como um investimento voltado ao lucro de bilheteria. A PF, entretanto, apura se a quantia pode ter motivação política ou representar tentativa de compra de influência.
Disputa pela relatoria
Hoje, o ministro André Mendonça é o relator natural de investigações relacionadas ao Banco Master no STF. Setores da PF e adversários de Flávio consideram, contudo, direcionar o caso para Alexandre de Moraes ou para um novo ministro, por meio de sorteio, hipótese possível caso seja aberto um inquérito autônomo.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou que o material seja anexado a um inquérito já existente contra o deputado Eduardo Bolsonaro, que está sob relatoria de Moraes. O parlamentar alega que o dinheiro destinado ao filme poderia ter servido a campanhas internacionais de Eduardo contra instituições brasileiras. A defesa de Flávio nega a relação e pediu o afastamento de Moraes por suposta falta de imparcialidade.
Outras vias possíveis
Além da inclusão no inquérito de Moraes, há duas alternativas em debate:
Imagem: Octavio Guzmán
- abertura de um inquérito específico sobre o áudio, o que acionaria sorteio entre os dez ministros da Corte;
- envio do caso ao ministro Flávio Dino, que já conduz apuração sobre possível uso indevido de emendas parlamentares ligadas à produção do mesmo filme.
Efeitos sobre a corrida presidencial
Até o momento não há investigação formal aberta. Para barrar uma candidatura, seria necessária condenação definitiva, cenário distante. O principal impacto imediato para Flávio, pré-candidato ao Planalto em 2026, é o desgaste político decorrente da exposição das suspeitas.
Com informações de Gazeta do Povo
