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Filho de Jaques Wagner pediu dados de proprietário de apartamento de R$ 2,45 milhões, revela PF

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a discutir a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, meses depois de ter repassado informações sobre o imóvel ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

Em um dos diálogos, Wagner encaminha a Lima um pedido atribuído a um de seus filhos para obter os dados do proprietário formal da unidade. “Consegue esses dados? O envio do projeto é até o dia 19/05, segunda-feira…”, diz a mensagem citada pela PF. Segundo os investigadores, as informações seriam usadas na emissão do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), exigido para futuras alterações no imóvel.

Troca de mensagens detalha preço e unidade

Outro trecho, de 26 de novembro de 2024, registra o momento em que o senador envia a Lima o contato do gerente da construtora responsável pelo empreendimento Poème Horto, além de detalhes sobre o apartamento: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”, escreveu Wagner. No dia seguinte, ele teria remetido o livro digital com mais informações do prédio.

De acordo com a PF, após receber o material, Lima acionou parceiros ligados ao grupo econômico investigado para viabilizar a compra. O negócio foi formalizado em nome da Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos provenientes de fundos vinculados ao mesmo grupo.

Operação Compliance Zero

Os diálogos integram a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF na manhã de 18 de junho. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Também foram impostas medidas cautelares, como a suspensão de passaportes e a proibição de contato entre os investigados.

As suspeitas contra Jaques Wagner surgiram após a análise das mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso, incluindo propostas de ampliação do crédito consignado e uma emenda apelidada de “Emenda Master”.

Defesas

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner “é depositário de toda a nossa confiança” e defendeu o aprofundamento das apurações. “A sociedade tem o direito de saber a verdade”, declarou, acrescentando que o parlamentar esclarecerá os fatos e “comprovará sua inocência”.

A defesa de Augusto Lima classificou as diligências como desnecessárias, alegando que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses. Os advogados sustentam que Lima sempre agiu dentro da legalidade e em conformidade com as normas do sistema financeiro e da administração pública.

Com informações de Metrópoles

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