A capacidade mundial de processamento de dados está majoritariamente exposta a eventos climáticos extremos. Levantamento divulgado nesta quinta-feira (18) pela consultoria First Street indica que 79% da infraestrutura global de data centers enfrenta risco elevado de enchentes, ventos fortes e incêndios florestais.
O estudo avaliou 97 mercados ao redor do planeta e constatou que pouco mais da metade desses centros opera em áreas sujeitas a estresses climáticos crônicos, como calor extremo e longos períodos de seca. Segundo os pesquisadores, essas condições tendem a reduzir a eficiência energética e a elevar os custos operacionais ao longo do tempo.
Modelos de risco desatualizados
Para Matthew Eby, diretor-executivo da First Street, as metodologias tradicionais de avaliação de ativos dependem excessivamente de registros históricos e não refletem o comportamento climático atual. “O clima de hoje não segue mais os padrões do passado”, afirmou em comunicado, salientando que isso limita a previsão de riscos futuros.
Jeremy Porter, economista-chefe da companhia, acrescentou que diversos sistemas governamentais ainda consideram apenas dados históricos de precipitação, sem levar em conta o aumento da umidade atmosférica e das chuvas intensas provocado pelo aquecimento global.
Impacto financeiro e necessidade de adaptação
Eventos severos podem interromper operações, ampliar períodos de inatividade e encarecer seguros e reparos, apontou o relatório. A análise alerta que investidores correm o risco de basear decisões em métricas ultrapassadas, ignorando como o clima pode influenciar a viabilidade de empreendimentos projetados para funcionar por 20 a 30 anos.
Alguns operadores já buscam soluções. A Digital Realty investe em sistemas de resfriamento que eliminam ou reduzem o consumo de água por evaporação. De acordo com o presidente da empresa, Andrew Power, quase todos os cerca de 300 data centers do grupo utilizam circuitos sem uso de água ou em ciclo fechado.
Porter ressalta que adaptações estruturais ajudam, mas defende uma abordagem mais ampla, considerando infraestrutura local, acesso viário, fornecimento de energia e características socioeconômicas das comunidades vizinhas.
Imagem: DarthArt
Exposição varia por região
A Ásia-Pacífico apresenta o maior nível de exposição a riscos climáticos agudos, com 89% da capacidade regional sob ameaça. Nas Américas, o índice é de 50%, enquanto Europa, Oriente Médio e África registram 46%.
Mercados de rápido crescimento, como norte da Virgínia (EUA), Johor (Malásia) e Marselha (França), figuram entre os mais vulneráveis. Já os países nórdicos exibem os menores níveis de risco. A maioria dos dez mercados globais com maior exposição a eventos agudos localiza-se nos Estados Unidos, principalmente por causa da suscetibilidade a ventos fortes e inundações. Em contrapartida, o território norte-americano tem menor exposição a riscos climáticos crônicos que outras regiões.
O relatório conclui que incorporar variáveis climáticas nas decisões de financiamento e expansão pode evitar avaliações equivocadas de risco e direcionar investimentos para áreas mais resilientes.
Com informações de Olhar Digital
