Os Estados Unidos aplicarão uma sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil a partir de 22 de julho. A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e reúne argumentos econômicos, jurídicos, ambientais e políticos.
Principais motivos apresentados
O relatório do USTR aponta que práticas brasileiras estariam restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores e exportadores norte-americanos. Entre os pontos destacados estão:
- PIX: o Banco Central do Brasil teria favorecido o sistema de pagamentos instantâneos nacional em detrimento de provedores estrangeiros.
- Corrupção: o Brasil recebeu 35 de 100 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (CPI) da Transparency International, o que, segundo o órgão, afasta o país de normas globais.
- Decisões do STF sobre big techs: ordens para remoção de conteúdos, suspensão de contas e aplicação de multas a plataformas como X, Meta, Google e Rumble.
- Política tarifária: tratamento preferencial concedido a México e Índia, dificultando o acesso de produtores norte-americanos ao mercado brasileiro de etanol.
- Propriedade intelectual: o Brasil permanece na “Watch List” do relatório Special 301 desde 2007.
- Desmatamento na Amazônia: exploração ilegal de madeira seria responsável por reduzir preços internacionais e afetar a indústria madeireira dos EUA.
Dimensão política
Embora o acréscimo tarifário tenha caráter econômico, integrantes do governo Trump atribuem viés político à medida. O secretário de Estado Marco Rubio acusou Brasília de “não negociar de boa-fé”.
Reação brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a decisão e prometeu resposta com base na Lei de Reciprocidade. A elevação tarifária marca novo capítulo da disputa comercial entre os dois países.

Imagem: Siker Stock
Com informações de Olhar Digital
