Berlim – Marla-Svenja Liebich, 55 anos, figura conhecida da extrema direita no leste alemão, foi entregue pela República Tcheca às autoridades da Alemanha na quarta-feira (15/7) e encaminhada a um presídio feminino em Chemnitz, no estado da Saxônia.
Segundo o Ministério Público, a extraditada colaborou com todo o trâmite judicial. A direção da penitenciária avalia se a condenada cumprirá integralmente a pena no local ou se precisará ser transferida.
Fuga e captura
Liebich estava foragida desde agosto de 2023, após descumprir ordem judicial para se apresentar. Foi detida em abril deste ano em território tcheco, depois que a Justiça do país rejeitou sucessivos recursos contra sua extradição. Durante o processo, alegou temer pela própria vida caso fosse colocada em ala masculina na Alemanha; entretanto, o jornal Mitteldeutsche Zeitung relatou que, no momento da prisão, ela vestia roupas masculinas e exibia a cabeça raspada.
Transição legal contestada
Antes da mudança de gênero no fim de 2024, a extremista atuava sob o nome Sven, acumulando décadas de militância neonazista. A alteração ocorreu enquanto ela recorria de condenação em primeira instância a um ano e meio de prisão por incitação ao ódio étnico e difamação. A Justiça de Halle analisa ação para revogar o novo registro civil.
O episódio expôs possíveis brechas da Lei de Autodeterminação de Gênero, em vigor desde o fim de 2024 e que simplificou a troca de nome e sexo sem laudos médicos. Críticos veem a iniciativa de Liebich como provocação deliberada e “teste de estresse” à norma.
Histórico de hostilidade a pessoas trans
Quando ainda usava o nome Sven, a militante atacava a chamada “ideologia de gênero”, ofendia a comunidade LGBTQ+ e vendia produtos contra a transição de menores. Após a mudança documental, passou a processar veículos que a identificavam pelo sexo biológico. Perdeu uma ação contra o jornalista Julian Reichelt, ex-editor do Bild, e teve reclamação arquivada pelo Conselho de Imprensa contra a revista Der Spiegel.

Imagem: Internet
Pressão política
O caso alimenta a ala conservadora que exige alterações na legislação de gênero. O governo do chanceler Friedrich Merz já sinalizou a intenção de revisar diretrizes para evitar novos supostos abusos.
Não há prazo definido para a decisão sobre a permanência de Liebich no presídio feminino de Chemnitz.
Com informações de Metrópoles
