A administração do presidente Donald Trump começou a definir quais companhias e instituições poderão utilizar os modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados desenvolvidos nos Estados Unidos, informaram duas fontes à CNBC. Até então, a decisão era tomada exclusivamente pelos próprios laboratórios, como Anthropic e OpenAI.
Tradicionalmente, essas empresas liberavam suas tecnologias a um grupo restrito de grandes clientes corporativos. A Anthropic, por exemplo, apresentou o modelo de cibersegurança Mythos a parceiros selecionados por meio do Project Glasswing. Já a OpenAI foi aconselhada pela Casa Branca a retardar o lançamento do GPT-5.6 e opera um consórcio semelhante, batizado de Daybreak, para seu modelo de defesa cibernética.
Governo nega exigência formal de aprovação
Um porta-voz da Casa Branca disse à CNBC que o governo não fornece autorizações para lançamentos de IA de empresas privadas. Segundo o funcionário, quaisquer testes ou reuniões com especialistas federais são voluntários, e as decisões de divulgação permanecem sob responsabilidade das companhias. O representante citou o decreto executivo assinado por Trump em junho, que requisita acesso antecipado do governo a novos modelos para fins de teste.
Bloqueios e restrições recentes
- No mês passado, a administração suspendeu o acesso aos modelos Claude Mythos 5 e Fable 5, da Anthropic, por motivos de segurança nacional; o uso foi restabelecido semanas depois, após negociações.
- Também em junho, a OpenAI anunciou que limitaria o compartilhamento de novos modelos a parceiros considerados confiáveis, atendendo a solicitações do governo.
- Nesta semana, a Casa Branca lançou o programa Gold Eagle, voltado a identificar e corrigir vulnerabilidades cibernéticas em conjunto com o setor privado.
Segundo uma das fontes ouvidas pela CNBC, está em estudo a criação de um clearinghouse que centralizaria na Casa Branca a autorização de acesso a modelos de IA de fronteira. Futuras liberações dependeriam de aprovação explícita do governo, o que coloca em dúvida a continuidade de iniciativas como o Project Glasswing e o Daybreak.
Competição internacional avança
Enquanto Washington reforça o controle interno, empresas chinesas reduzem rapidamente a distância tecnológica. Nesta sexta-feira (17), a startup Moonshot AI apresentou o Kimi K3, modelo que, segundo um benchmark independente, alcançou desempenho próximo ao do Fable e do GPT-5.6, superando laboratórios norte-americanos em ao menos um teste. O investidor David Sacks, ex-assessor de IA da Casa Branca, descreveu a evolução chinesa como “preocupante”, acrescentando que “o resto do mundo não seguirá nossas regras se ficarmos parados”.

Imagem: gguy
As discussões sobre o novo sistema de autorização ocorrem em meio ao desafio de equilibrar segurança nacional e manutenção da liderança dos Estados Unidos na corrida global por inteligência artificial.
Com informações de Olhar Digital
