Brasília — A Polícia Federal calcula que a Operação Compliance Zero, que apura o rombo bilionário do Banco Master, pode chegar a 60 fases. A força-tarefa pretende seguir com diligências mesmo no período eleitoral de 2026, concentrando-se em autoridades públicas e operadores financeiros.
Maior escândalo bancário do país
Liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, o Banco Master e outras instituições do mesmo grupo, como o Will Bank, deixaram um prejuízo estimado em R$ 52 bilhões. O valor foi coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que viu quase metade de seus recursos ser consumida para ressarcir depositantes.
Impacto do calendário eleitoral
A PF afirma que a legislação eleitoral — que veda a prisão de candidatos nos 15 dias que antecedem o pleito, salvo em flagrante — não impedirá o avanço das investigações. Medidas como buscas, apreensões, bloqueio de bens e quebras de sigilo bancário poderão ser solicitadas à Justiça normalmente. A estratégia é apoiar-se em provas técnicas para afastar alegações de motivação política.
Próximos alvos
Com base em milhares de documentos e dispositivos eletrônicos já apreendidos, os investigadores miram agora operadores financeiros, empresas de fachada e conexões com fundos de previdência estaduais e municipais. A rede de influência atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro alcançaria núcleos políticos em Brasília, envolvendo, entre outros, os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner. Familiares de Vorcaro permanecem presos.
STF fora do escopo, por enquanto
Não há ministros do Supremo Tribunal Federal sob investigação na Compliance Zero. Qualquer apuração sobre membros da Corte depende de autorização do próprio STF, e, segundo fontes ligadas ao caso, não existe movimento nesse sentido no momento.

Imagem: Internet
Projeção de duração
A Polícia Federal avalia ter cumprido apenas cerca de 20% do cronograma previsto. O volume de dados em nuvem e de documentos físicos indica que a operação deve se estender por todo o ano de 2027, configurando-se como uma das maiores investigações de corrupção e lavagem de dinheiro já conduzidas no país.
Com informações de Gazeta do Povo
