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Cientistas detectam eritrulose, primeiro açúcar autêntico no espaço interestelar

Pesquisadores identificaram na nuvem de gás G+0.693, próxima ao centro da Via Láctea, a eritrulose – primeiro açúcar verdadeiro já encontrado fora da Terra. O achado, detalhado na revista Nature Astronomy, foi liderado pela cosmoquímica Izaskun Jiménez-Serra, do Centro de Astrobiologia da Espanha.

Onde e como a molécula foi encontrada

A região estudada, situada na Zona Molecular Central da galáxia, é conhecida por abrigar compostos orgânicos complexos. Utilizando dois radiotelescópios instalados em território espanhol, a equipe captou a assinatura de radiofrequência exclusiva da eritrulose, molécula formada por quatro átomos de carbono.

De acordo com as medições, a quantidade detectada desse açúcar é de 8 a 17 vezes superior à de açúcares menores analisados no mesmo ambiente. Já compostos de três carbonos, como gliceraldeído e diidroxiacetona, não foram observados. A eritrulose, que possui 14 átomos, tornou-se ainda a maior molécula sem anéis fechados identificada em meio interestelar e apenas a segunda substância quiral registrada nesse contexto.

Implicações para a química prebiótica

Experimentos em laboratório sob condições semelhantes às da Terra primitiva costumam produzir monossacarídeos em concentrações reduzidas. A descoberta sugere que parte do estoque de açúcares necessário para os primeiros processos de metabolismo e replicação pode ter se originado no espaço e sido transportado para planetas jovens.

Modelos da equipe indicam que a eritrulose pode se formar em superfícies congeladas de grãos de poeira interestelar, onde glicolaldeído e etilenoglicol, ativados por radiação, se combinariam. Os cálculos, contudo, ainda não reproduzem integralmente as abundâncias medidas, tema que deverá ser investigado em estudos futuros.

Cientistas detectam eritrulose, primeiro açúcar autêntico no espaço interestelar - Imagem do artigo original

Imagem: SRStudio

Composta por substâncias como cianeto e outros compostos orgânicos, a nuvem G+0.693 continua fornecendo pistas de que a Via Láctea abriga uma química muito mais diversa do que se supunha.

Com informações de Olhar Digital

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