Brasília, 12 de julho de 2026 — A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu suspender sua participação na campanha e na elaboração do plano de governo do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Motivos do afastamento
Em declarações ao portal Metrópoles, a ex-ministra da Mulher e dos Direitos Humanos afirmou ter sido alvo de ataques de setores da direita e disse não ter recebido contato de Flávio desde o início da crise. “Ele está correndo”, resumiu.
Damares havia sido convidada para contribuir especificamente nas áreas de mulheres e direitos humanos. Segundo a senadora, a colaboração ficará suspensa “por ora”. “Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição”, comentou.
Alinhamento com Michelle Bolsonaro
Amiga pessoal da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Damares reforçou o vínculo após Michelle divulgar, no fim de junho, vídeo em que se disse “apunhalada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado por discordar da aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará. Pouco depois, Michelle deixou a presidência do PL Mulher e criou o movimento Imparáveis MB.
No dia seguinte ao vídeo, a senadora não compareceu a um encontro de Flávio com lideranças femininas de vinte estados, em Brasília. O evento havia sido organizado para conter a crise e contaria com o apoio de Damares.
Ameaças e ataques pessoais
Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que preside, Damares relatou ter recebido ameaças contra familiares. Segundo ela, foram enviadas imagens descrevendo possíveis agressões à filha, além de ofensas como “leviana”, “vagabunda” e “adúltera”. “Acreditem, me deram até um amante, aos 62 anos de idade”, afirmou.
Imagem: Internet
Críticas a Paulo Figueiredo
A senadora também rechaçou declarações do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que disse que “mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras”. Para Damares, a fala coloca em dúvida a capacidade de escolha das mulheres.
Flávio Bolsonaro repudiou publicamente as declarações de Figueiredo. “Ele não faz parte da nossa campanha, mas me senti ofendido e precisava manifestar”, disse o pré-candidato.
Expectativas de reconciliação
Sobre o desgaste com a madrasta Michelle, Flávio afirmou estar “aberto a conversar” e que aguardará o momento em que ela “vista a camisa” da campanha. “Ninguém aguenta mais quatro anos de PT”, declarou.
Com informações de Gazeta do Povo
