Drones armados dotados de inteligência artificial reacenderam a discussão global sobre quem – ou o que – pode decidir sobre a vida em campo de batalha. O tema ganhou força após o conflito na Ucrânia e ações recentes envolvendo o Irã, onde sistemas cada vez mais autônomos passaram a integrar operações militares, segundo relato do jornal britânico The Guardian.
Autonomia crescente
Entre militares e especialistas, o ponto central é determinar até que nível essas aeronaves devem operar sem intervenção humana direta. O ex-diretor da agência de inteligência britânica GCHQ, David Omand, avalia que a IA pode estruturar decisões “moralmente orientadas” em armamentos não tripulados. Já o ministro das Forças Armadas do Reino Unido, Al Carns, declarou que a participação humana tende a diminuir em algumas etapas decisórias.
Pontos em debate
Na pauta dos governos e da comunidade acadêmica aparecem cinco questões principais:
- grau de autonomia total ou parcial em drones de combate;
- emprego de algoritmos na definição de alvos;
- criação de regras éticas pré-programadas;
- impacto de falhas ampliadas por sistemas em larga escala;
- ausência de normas internacionais padronizadas.
Limites da “moralidade” algorítmica
A pesquisadora Zee Talat, da Universidade de Edimburgo, sustenta que modelos de linguagem funcionam por correlações estatísticas e não realizam julgamentos morais. “Se a máquina é probabilística, ela buscará a resposta mais provável. Moralidade segue essa lógica?”, questiona.
Para Andrew Rogoyski, da Universidade de Surrey, valores morais variam entre culturas e raramente produzem consenso, dificultando sua tradução em código. A professora de direito internacional Jessica Dorsey, da Universidade de Utrecht, observa que a inexistência de acordos globais aumenta o risco de classificações erradas entre civis e combatentes, contrariando as Convenções de Genebra.
Imagem: Anelo
Necessidade operacional x cautela
Autor do livro “Warhead”, Nicholas Wright argumenta que, diante da velocidade dos conflitos atuais, forças armadas podem precisar de sistemas capazes de tomar decisões próprias. No setor privado, startups nos Estados Unidos e na Europa desenvolvem aeronaves de vigilância e ataque em fases distintas de autonomia. O executivo Olaf Hichwa, da empresa Neros, defende que a IA sirva de apoio – e não substituição – ao julgamento humano.
Apesar do avanço tecnológico acelerado, pesquisadores concordam que a elaboração de marcos éticos e legais segue em ritmo inferior, mantendo em aberto o futuro do uso de drones autônomos em confrontos armados.
Com informações de Olhar Digital
