Brasília — 20/08/2026. O petróleo tornou-se tema central da campanha ao Planalto. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na Petrobras e na recém-descoberta Margem Equatorial; de outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aproxima-se do setor privado e promete rever a carga tributária sobre a commodity.
Flávio Bolsonaro se reúne com grandes petroleiras
A candidatura do PL ganhou projeção após um encontro de Flávio Bolsonaro com executivos de companhias de petróleo e energia. A reunião abriu canal de diálogo com investidores que buscam previsibilidade regulatória em cenário de eventual mudança de governo.
Para elaborar seu programa, o senador incorporou nomes ligados ao mercado: o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida responde pelo núcleo econômico, enquanto o consultor Adriano Pires e o advogado Alexandre Chequer cuidam das propostas para energia e infraestrutura.
A equipe defende ampliação da participação privada, competição e estabilidade regulatória — linha semelhante às teses apresentadas por Paulo Guedes em 2019, quando o então ministro da Economia criticou o regime de partilha do pré-sal após leilões com baixa concorrência.
Promessa de acabar com imposto de 12% sobre exportação
Como sinal ao mercado, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso eleito, eliminará a alíquota de 12% cobrada sobre a exportação de petróleo bruto, instituída pelo atual governo. Segundo ele, a tributação desestimula produção e investimentos num momento em que o país deveria acelerar a exploração.
Lula destaca a Margem Equatorial e o papel da Petrobras
Lula levou o tema à campanha na segunda-feira (17), durante visita a um navio-sonda da Petrobras na costa do Amapá. No local, o presidente classificou a descoberta do poço Morpho como “novo passaporte para o futuro”, relacionando a fronteira ao desenvolvimento, à soberania e à proteção ambiental.
O deslocamento contou com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no primeiro evento público de ambos após três meses de afastamento. Alcolumbre agradeceu o apoio do governo para viabilizar a exploração, e Lula elogiou o avanço de pautas no Congresso.

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A agenda também reforçou o palanque de Clécio Luís (União), que disputa a reeleição ao governo do Amapá, e associou o grupo político de Alcolumbre às expectativas de emprego e investimento geradas pela atividade petrolífera.
Pico do pré-sal em 2034 pressiona novas fronteiras
A Petrobras projeta que a produção do pré-sal atinja o ápice em 2034, o que torna a Margem Equatorial crucial para evitar queda acentuada na década seguinte. O debate sobre velocidade de exploração ganha peso diante da transição energética global e do possível declínio da demanda por combustíveis fósseis.
Duas visões para a mesma riqueza
Enquanto Lula mantém a estatal no centro da estratégia de desenvolvimento, Flávio Bolsonaro propõe ambiente de livre concorrência e maior espaço ao capital privado. Petroleiras acompanham o debate de perto, interessadas em temas como modelo de concessão, regime de partilha e tributação — variáveis que orientarão aportes bilionários nos próximos anos.
Com o pico do pré-sal se aproximando, a eleição de 2026 coloca candidatos frente ao mesmo desafio: transformar as reservas nacionais em riqueza antes que a janela global do petróleo se feche.
Com informações de Gazeta do Povo
