Uma reanálise de informações coletadas pelo rover chinês Zhurong indica que água líquida pode ter existido na superfície de Marte muito mais tarde do que estimativas anteriores apontavam. O trabalho, liderado por Jiacheng Liu, da Universidade de Hong Kong, foi publicado nesta segunda-feira (10) na revista Nature Astronomy.
Descoberta de cristais de selenita
Os pesquisadores concentraram-se em imagens e medições de espectroscopia feitas pelo Zhurong em Utopia Planitia, vasta planície no hemisfério norte do planeta. Sob a camada superficial de rochas planas e brilhantes, foram identificados cristais com formas que lembram folhas de repolho e ramos de árvore de Natal. Análises combinadas de laser e infravermelho apontaram que esses cristais são de selenita, uma variedade de gipsita que só se forma a partir da cristalização direta de água salgada concentrada.
Pela espessura do depósito mineral, a equipe calculou que seria necessária uma lâmina d’água entre 6,25 e 25 metros para criar a camada observada. A contagem de crateras ao redor do local indica idade aproximada de 757 milhões de anos para o terreno onde as rochas foram encontradas.
Implicações para a história hídrica de Marte
Segundo os autores, a água teria se originado de salmouras subterrâneas aquecidas por atividade vulcânica, ascendendo à superfície e ficando aprisionadas enquanto congelavam de cima para baixo. Caso as medições estejam corretas, água líquida na superfície marciana teria persistido centenas de milhões de anos além do que preveem os modelos mais aceitos.
Por selar pequenas bolsas do líquido em que se formam, cristais de selenita podem preservar registros químicos do ambiente antigo. Isso coloca a região de Utopia Planitia como candidata a futuras missões que busquem vestígios de condições habitáveis ou até sinais de vida passada.

Imagem: Internet
O rover Zhurong pousou em Marte em maio de 2021 e operou durante 93 dias marcianos, até ser desativado por uma tempestade de poeira em 2022. Mesmo com a missão interrompida, os dados obtidos continuam a oferecer novas pistas sobre o passado do planeta vermelho.
Com informações de Olhar Digital
