O governo dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira, 28 de maio de 2026, a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na sua lista oficial de organizações terroristas internacionais.
A partir da nova classificação, os EUA passam a tratar os dois grupos no mesmo patamar de ameaça atribuído a organizações como a Al Qaeda. A designação permite o congelamento imediato de bens sob jurisdição americana, proíbe cidadãos e empresas dos EUA de manter qualquer tipo de transação com integrantes ou associados das facções e autoriza sanções severas contra quem mantiver vínculos, mesmo indiretos, com esses grupos.
Repercussão política no Brasil
No plano doméstico, a decisão é vista como um revés diplomático para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto vinha tentando evitar a medida, argumentando que PCC e CV são quadrilhas voltadas a atividades criminosas para lucro, sem motivação ideológica ou política que caracterize terrorismo pela legislação brasileira. Aliados do governo também demonstravam receio de que a nova classificação abra brecha para ações unilaterais dos EUA em território brasileiro sob a justificativa de combate ao terrorismo.
A medida reforça, por outro lado, o discurso do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto em 2026. Dias antes do anúncio, ele visitou o ex-presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, entregando formalmente o pedido de enquadramento das facções como terroristas. O parlamentar prometeu alinhar o Brasil a coalizões conservadoras, como o chamado Escudo das Américas, caso seja eleito, e comemorou publicamente a decisão de Washington.
Impacto para bancos e empresas
Com PCC e CV na lista de terrorismo dos EUA, instituições financeiras que operam no Brasil passam a adotar controles mais rígidos para identificar e reportar transações suspeitas ligadas às facções. Analistas alertam que investidores estrangeiros podem hesitar em aplicar recursos em companhias instaladas em áreas onde o crime organizado tem forte presença, temendo eventual responsabilização pelas autoridades americanas.
Imagem: Jas Roosens
Dilema do Planalto
Especialistas em política externa descrevem a situação do governo Lula como um “zugzwang”, termo do xadrez que define o momento em que qualquer movimento piora a posição do jogador. Se criticar a medida dos EUA, o presidente poderá ser acusado de leniência com o crime; se apoiar, contrariará a posição defendida até aqui e sinalizará fraqueza; se optar pelo silêncio, corre o risco de ser visto como omisso diante de um tema sensível.
Sem indicar qual caminho seguirá, o governo brasileiro estuda quais serão os próximos passos diplomáticos para lidar com a classificação imposta por Washington.
Com informações de Gazeta do Povo
