O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger, permanece despachando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto em agosto de 2026, apesar de ter seu nome mencionado em mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) sobre suposto tráfico de influência para a venda de canabidiol ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Mensagens apontam intermediação de contrato bilionário
Conversas interceptadas pela PF indicam que Berger seria o elo entre o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o Ministério da Saúde. O grupo pretendia fechar, sem licitação, a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões.
Os diálogos sugerem ainda a participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e da lobista Roberta Luchsinger. Segundo a investigação, Roberta teria recebido R$ 1,5 milhão de Antunes. Em uma das transações, o empresário citou “o filho do rapaz”, frase que os investigadores interpretam como possível referência a Lulinha. A defesa dos dois afirma que não houve repasse ilícito e que os valores corresponderiam a serviços de consultoria.
Encontros no Ministério da Saúde
Berger confirmou que recebeu Antunes em seu gabinete enquanto exercia o cargo de secretário-executivo, entre 2024 e 2025. Ele alega que as reuniões faziam parte da rotina institucional e nega ter recebido orientação externa. Segundo Berger, o negócio não avançou porque a pasta não demonstrou interesse nos produtos de cannabis.
O Ministério da Saúde informou que não houve discussão formal sobre a oferta de canabidiol na atual gestão. Registros apontam que Antunes esteve na sede da pasta ao menos cinco vezes entre 2024 e 2025, algumas sem constar na agenda oficial.

Imagem: Internet
Situação no governo e no Judiciário
Após deixar a Saúde em 2025, Berger assumiu função de confiança no Gabinete Pessoal da Presidência e foi mantido no posto. Ele não é investigado formalmente, mas continua a ser citado em relatórios da PF.
O inquérito corre no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro André Mendonça. A Procuradoria-Geral da República solicitou a remessa do caso à primeira instância, argumentando ausência de foro privilegiado dos envolvidos. A expectativa, contudo, é que o STF mantenha a apuração sob sua supervisão em Brasília.
Com informações de Gazeta do Povo
