O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou que pretende retornar a Washington para depor diante da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos contra o novo tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado pelo governo Donald Trump em 2 de junho.
A iniciativa ocorre após críticas de que o próprio parlamentar e o irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), teriam contribuído para o clima que levou ao aumento das alíquotas. Ambos negam envolvimento.
Relação Trump-Lula
Em setembro do ano passado, durante encontro na sede da ONU, em Nova York, Trump elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo ter havido “química excelente” entre os dois. Lula respondeu com bom-humor: “Não foi uma química, foi uma indústria petroquímica”.
Menos de um mês depois, os presidentes conversaram por telefone por cerca de uma hora sobre o tarifaço de 50% em vigor desde agosto. Novo contato telefônico ocorreu no início de dezembro, voltado ao mesmo tema e ao combate ao crime organizado.
Em 7 de maio, Lula foi recebido na Casa Branca com tapete vermelho, reuniões de trabalho e almoço. Trump classificou o encontro como “muito bom”, chamou Lula de “dinâmico”, “bom homem” e “inteligente”, ressaltando o foco em comércio e tarifas. Na ocasião, Lula pediu que Trump sorrisse mais e disse não querer “guerra entre os países”; o republicano atendeu, esboçando sorriso.
Interferência dos Bolsonaro
Dezenove dias após a visita oficial de Lula, Flávio e Eduardo Bolsonaro conseguiram, com auxílio de integrantes do governo norte-americano contrários à aproximação Brasil-EUA, uma sessão de fotos com Trump no Salão Oval. Depois, admitiram ter criticado Lula e solicitado novas intervenções dos EUA em assuntos internos brasileiros.
Imagem: Internet
Entre os pedidos estavam: 1) classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas — medida já atendida por Trump — e 2) monitorar as eleições de outubro para evitar supostas fraudes favoráveis a Lula e ao PT.
Nova postura
Com a repercussão negativa do aumento tarifário, Flávio Bolsonaro busca agora se posicionar contra a medida. “Vou fazer minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”, declarou. Ele acusou o presidente brasileiro de não agir para barrar as tarifas, por acreditar que a medida poderia beneficiá-lo politicamente nas eleições de outubro, mesmo ao custo de “quebrar as empresas brasileiras”.
Ao assumir a defesa dos exportadores nacionais, Flávio tenta afastar a pecha de “traidor da Pátria”, rótulo que ganhou força após as articulações que favoreceram a adoção do tarifaço.
Com informações de Metrópoles
