Paris (França) – Durante conversa informal na reunião de cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e ao chanceler alemão, Friedrich Merz, que “o mundo não é de esquerda” e que ele “nunca foi esquerdista”.
Segundo Lula, sua trajetória começou no movimento sindical, onde mantinha relação estreita com sindicatos da Alemanha, da Itália e da Espanha. “Eu era um dirigente sindical”, disse, reforçando que sua atuação não se pautava por rótulos de esquerda.
Declarações anteriores sobre o tema
O posicionamento contrasta com falas registradas em diferentes momentos da carreira política de Lula, reunidas em 2006 por Ali Kamel no livro “Dicionário Lula – um presidente exposto por suas próprias palavras”. Entre os principais episódios estão:
- 2006 – Na entrega de um prêmio para o “Empreendedor do Ano”, Lula afirmou que, com o tempo, “quem é mais de direita vai ficando mais de centro, quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata”. Comentou ainda que “se você conhecer uma pessoa muito idosa de esquerda, é porque ela está com problema”.
- 2003 – Logo após tomar posse, em encontro com participantes do Fórum Social Mundial, o presidente declarou ter ciência da “esperança” que sua vitória representava “para a esquerda em todo o mundo, sobretudo na América Latina”.
- 2006 – Em conversa com jornalistas, disse considerar-se de esquerda caso o termo significasse “defender as coisas que eu defendo na área social”. Ao mesmo tempo, definiu seu governo como pautado pela “correlação de força política na sociedade”.
- 2007 – Em entrevista a uma emissora de televisão dos Estados Unidos, celebrou ter criado “o partido político mais importante da esquerda na América Latina” e, em duas décadas, alcançado a Presidência da República.
Percepção dentro da esquerda tradicional
De acordo com o texto original, dirigentes do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) avaliavam que Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT) contribuíram, nos anos 1970, para dividir a esquerda nacional no período final da ditadura militar.
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As declarações mais recentes, feitas no G7, reforçam a diferença entre o discurso atual do presidente e posicionamentos registrados ao longo de sua trajetória política.
Com informações de Metrópoles
