Brasília — 18/08/2026, 21h50. O vazamento de conversas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, divulgado na segunda-feira (17), expôs indícios de tráfico de influência e provocou desgaste político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Analistas ouvidos apontam que o episódio favorece a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Investigações em curso
As mensagens, trocadas por WhatsApp, foram interceptadas pela Polícia Federal e integram inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro André Mendonça. O material sugere articulações de Lulinha e Roberta com integrantes do governo para favorecer empresas interessadas em autorizações do Ministério da Saúde para comercializar produtos à base de cannabis medicinal, entre 2023 e 2024.
Entre os citados nas conversas estão Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Wedenberger Barbosa, conhecido como Berger, ex-secretário-executivo da Pasta. O STF ainda não concluiu os processos.
Repercussão eleitoral
Levantamentos do Instituto Quaest indicam queda na vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno desde a abertura de investigações contra Lulinha:
- 15/07: Lula 45% x 37% Flávio — diferença de 8 pontos;
- 05/08: Lula 44% x 39% Flávio — diferença de 5 pontos;
- 14/08: Lula 43% x 40% Flávio — diferença de 3 pontos (empate técnico).
Para o cientista político Leandro Gabiati, da Dominium Consultoria, o tema permanecerá no debate até o dia da eleição, afetando o eleitorado moderado e indeciso. Marcos Quadros, da Universidade Estácio, avalia que denúncias recentes de corrupção são decisivas para esse grupo.
Ações da oposição
O senador Carlos Viana (PSD-MG) pediu ao STF a preservação de provas e a oitiva de Lulinha. Na Câmara, o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), promete acionar a Procuradoria-Geral da República com solicitações semelhantes.

Imagem: Internet
Defesas se manifestam
Advogados de Lulinha afirmam que a divulgação das conversas é “seletiva” e ocorre sem acesso integral aos autos, prometendo se pronunciar somente nos processos. A defesa de Roberta Luchsinger não comentou, citando segredo de justiça. O Palácio do Planalto tenta desvincular o presidente do caso; Lula declarou que o filho deve provar inocência ou arcar com responsabilidade caso seja culpado.
As pesquisas citadas estão registradas no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-07181/2026, BR-06591/2026 e BR-06773/2026.
Com informações de Gazeta do Povo
