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Meteorito raro oferece novas pistas sobre a química singular de Mercúrio

Uma pesquisa divulgada na última sexta-feira (1º) na revista Geochimica et Cosmochimica Acta aproximou os cientistas da resposta para um antigo enigma: por que Mercúrio, embora seja um planeta rochoso, é tão diferente da Terra, de Vênus e de Marte.

Experimento replica condições do planeta mais próximo do Sol

Sem amostras diretas do solo mercuriano, uma equipe da Universidade Rice, em Houston (EUA), recorreu ao meteorito Indarch, um condrito de enstatita classificado como EH4 que caiu no Azerbaijão em 1891. A composição desse fragmento espacial — rica em ferro e em sulfetos pouco comuns — se assemelha à inferida para Mercúrio e, por isso, foi escolhida como análogo do planeta.

Os cientistas moeram o meteorito, prepararam uma mistura com a mesma proporção de elementos e a aqueceram em um forno de alta temperatura. O objetivo era observar como o magma se comporta em um ambiente com pouco oxigênio e abundância de enxofre, cenário típico do planeta mais interno do Sistema Solar.

Enxofre mantém magma líquido por mais tempo

Os testes mostraram que, quando há pouco ferro disponível, o enxofre tende a se ligar a magnésio e cálcio, formando sulfetos. Na Terra, esses elementos se combinam principalmente com oxigênio, originando silicatos. Essa troca de parceiros químicos fragiliza a estrutura mineral e reduz a temperatura de cristalização, permitindo que o magma permaneça em estado líquido por períodos mais longos.

Química reduzida explica diferenças internas

Medidas de missões espaciais já indicavam que a superfície de Mercúrio é pobre em ferro, mas contém grandes quantidades de enxofre e magnésio. O estudo reforça a ideia de que o planeta evoluiu num ambiente quimicamente reduzido, onde compostos como sulfetos, carbetos e silicietos substituem os óxidos que dominam a crosta terrestre. Essa condição teria influenciado a forma como o núcleo, o manto e a crosta mercurianos se diferenciaram ao longo de 4,5 bilhões de anos.

Meteorito raro oferece novas pistas sobre a química singular de Mercúrio - Imagem do artigo original

Imagem: NASA s Shutterstock

Os autores sugerem que o enxofre, em Mercúrio, cumpre papel comparável ao da água ou do carbono na Terra, afetando diretamente a formação e a evolução dos magmas. O resultado destaca a necessidade de modelos específicos para planetas com baixa disponibilidade de oxigênio, em vez de extrapolar processos baseados apenas no nosso planeta.

As conclusões também auxiliam na interpretação de dados de sondas que investigam Mercúrio, oferecendo uma estrutura de referência para entender sua história geológica singular.

Com informações de Olhar Digital

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