Brasília — 28/08/2026, 11h58. Parlamentares da oposição afirmam que o receio de eventuais reações do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a influenciar o posicionamento de siglas do Centrão na corrida presidencial de 2026, dificultando a adesão formal ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Todo mundo em Brasília sabe”
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou que partidos já consideram possíveis consequências judiciais antes de fechar alianças. “Hoje se pensa no que pode acontecer depois. Todo dirigente partidário sabe o que acontece com quem fica do lado errado”, disse.
Segundo o parlamentar, a cautela não depende de ameaça direta do STF; bastaria a percepção de que processos poderiam ser acelerados ou abertos contra dirigentes que optassem pela candidatura de direita.
Siglas preferem neutralidade
PP, União Brasil, Republicanos e MDB mantêm-se oficialmente neutros até o momento. As legendas mencionam, entre outros motivos, desempenho nas pesquisas, palanques regionais e tempo de televisão. Nos bastidores, porém, oposicionistas atribuem a hesitação ao temor de atritos institucionais.
Presidentes de Poderes também se movimentam: Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) já declararam apoio ao presidente Lula (PT), mirando a própria reeleição ao comando do Senado e da Câmara em 2027.
Declarações do candidato
Em entrevista à Rádio Itatiaia em 18 de agosto, Flávio Bolsonaro alegou que dirigentes de partidos do Centrão foram “ameaçados por altas autoridades em Brasília” para não se juntarem à sua campanha. “O sistema está com medo”, afirmou.
Senadores veem pressão
O senador Izalci Lucas (PL-DF) reforçou a avaliação de que ministros do STF telefonam para parlamentares para influenciar votações. “Há um temor grande, não só da oposição, mas da base de governo”, disse. Mesmo assim, ele considera Flávio competitivo e com “todas as condições de ganhar”.
STF em pauta na sucessão
A eleição de 2026 também envolve quatro indicações ao STF que caberão ao próximo presidente. “É praticamente metade da Corte mudando de cara”, lembrou Cabo Gilberto.

Imagem: Internet
Para o cientista político Murilo Carvalho, trocar ministros não encerra o atrito entre Legislativo e Judiciário, que resulta da judicialização da política. O especialista alerta que “temor não é prova de pressão” e que seria necessário demonstrar uso efetivo do poder institucional para caracterizar interferência.
Importância do Senado
A oposição planeja ampliar sua bancada no Senado — responsável por processar ministros do STF por crime de responsabilidade — para reequilibrar forças. Izalci Lucas ressalta que a vitória presidencial exigirá base sólida na Casa para enfrentar eventuais impasses com o Supremo.
Carvalho, contudo, lembra que transformar pedidos de impeachment em processo depende de quórum político, cálculo institucional e disposição para o confronto, fatores que, segundo ele, ainda não se alinharam.
Assim, a combinação de interesse eleitoral, força do Executivo e receio de retaliações judiciais mantém o Centrão distante de um compromisso formal com Flávio Bolsonaro, prolongando o impasse na formação de alianças para 2026.
Com informações de Gazeta do Povo
