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Segunda Turma forma maioria e mantém afastamento do diretor-geral da PF após pedido de vista de Gilmar Mendes

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou maioria nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, para sustentar a liminar do ministro André Mendonça que afastou do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A deliberação foi interrompida por um pedido de vista do decano Gilmar Mendes, que pode manter o processo sob análise por até 90 dias.

A sessão virtual extraordinária começou às 10h, apenas duas horas e meia depois da decisão liminar. Os advogados das partes tiveram até 9h59 para apresentar sustentações orais. Logo na abertura, Mendes solicitou vista; quatro minutos depois, o ministro Luiz Fux votou com o relator, seguido, às 10h06, por Nunes Marques, garantindo três votos pela manutenção do afastamento. Ainda faltam os votos de Dias Toffoli e do próprio Gilmar. O julgamento fica aberto até 23h59.

Além da retirada temporária de Rodrigues e Almada, a liminar de Mendonça determina a abertura de investigações criminais e de processos administrativo-disciplinares contra ambos. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, deverá ser intimado para cumprir a determinação.

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que recorrerá. À CNN Brasil, o advogado Marco Aurélio Carvalho, conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu que o recurso seja protocolado antes mesmo da implementação da medida.

Horas antes da sessão, Gilmar Mendes apresentou proposta de emenda ao Regimento Interno do STF para impedir a atuação de policiais e militares em gabinetes de ministros, exceto na segurança. Caso aprovada, a remoção desses servidores seria imediata. Atualmente, delegados da PF são cedidos a gabinetes; Mendonça e Alexandre de Moraes contam com dois cada.

O documento de inteligência que embasou a decisão é classificado por Mendonça como “apócrifo”. A liminar manda investigar quem solicitou, produziu e distribuiu o relatório, a data de elaboração e se existem outros de conteúdo semelhante, com envio das conclusões ao gabinete do relator.

A tensão no STF se intensificou após Moraes divulgar trechos do relatório que apontam suposto “enviesamento” na supervisão judicial e interferência em investigações. Mendonça rebateu, chamando as conclusões de “estapafúrdias” e apontando invasão de competência.

O episódio levou o presidente do STF, Edson Fachin, a prometer medidas institucionais e a defender, entre outros pontos, o encerramento do inquérito das fake news. Nas redes sociais, o ministro Flávio Dino questionou se um magistrado poderia “prometer” o fim de um inquérito.

O julgamento segue suspenso aguardando o voto-vista de Gilmar Mendes e o pronunciamento de Dias Toffoli.

Com informações de Gazeta do Povo

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