Pesquisadores apresentaram um mecanismo que coleta energia a partir do choque de gotas de chuva sobre superfícies tratadas, permitindo geração elétrica mesmo sob tempo nublado ou chuvoso. O estudo, publicado no PubMed Central, detalha o uso de nanogeradores triboelétricos (TENGs) integrados a painéis já existentes.
Como funciona
O processo ocorre em três etapas:
1. Impacto pluvial — a gota atinge um revestimento polimérico hidrofóbico, convertendo energia cinética em potencial elétrico.
2. Efeito triboelétrico — atrito entre água e material transfere elétrons, gerando carga.
3. Geração de corrente — eletrodos de alta condutividade captam essa energia e a direcionam para armazenamento ou uso imediato.
Vantagens apontadas
A tecnologia diminui a dependência de radiação solar direta, funcionando como complemento natural aos módulos fotovoltaicos. Entre os benefícios destacados pelos autores estão:
- produção contínua em climas úmidos, chuvosos ou densamente nublados;
- elevada eficiência na conversão de energia mecânica em elétrica;
- emprego de materiais duráveis e sustentáveis;
- compatibilidade plena com sistemas solares já instalados.
Design Emerald
O projeto adota arquitetura em camadas batizada de Emerald, que evita o acúmulo de água e mantém a transparência exigida pelas células solares subjacentes. O arranjo favorece a condução de cargas e preserva o desempenho ótico do conjunto.
Imagem: inteligência artificial
Desempenho comparativo
Em condições de chuva, painéis fotovoltaicos tradicionais apresentam eficiência próxima de 0 a 5 %. Já o sistema Rain-TENG, baseado em fricção da água, mantém captação ativa. A versão híbrida Emerald combina os dois métodos, oferecendo estabilidade máxima durante o ano todo.
Próximos passos
Prototipagens em laboratório indicam resultados promissores, mas a comercialização depende de aprimoramentos na durabilidade dos polímeros de revestimento. Empresas de energia limpa negociam parcerias para viabilizar a produção em larga escala e disponibilizar kits de atualização a residências nos próximos anos.
A urgência climática e a busca por fontes renováveis impulsionam o interesse por soluções capazes de operar sob qualquer condição meteorológica, transformando a chuva de obstáculo em recurso energético.
Com informações de Olhar Digital
