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STF dá 10 dias para Ministério da Justiça explicar pausa na extradição do espião russo Sergey Cherkasov

Brasília – O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prazo de dez dias para que o Ministério da Justiça informe os motivos da interrupção no envio do agente russo Sergey Vladimirovich Cherkasov a Moscou.

O processo de extradição, já homologado pelo STF, encontra-se parado desde que o governo rejeitou uma solicitação dos Estados Unidos para levar o suspeito a Washington. A Rússia pressiona pela repatriação imediata, enquanto as autoridades norte-americanas alegam que o agente atuou em operações de espionagem contra alvos ocidentais.

Quem é Sergey Cherkasov

Identificado como integrante da inteligência militar russa, Cherkasov viveu no Brasil durante anos com documentação falsa em nome de Victor Muller Ferreira. Segundo organismos de segurança europeus, o objetivo era infiltrar-se no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. Descoberto em 2022, ele foi deportado de volta ao Brasil, onde cumpre pena de cinco anos por falsidade ideológica.

Impasse diplomático

O caso coloca o Palácio do Planalto entre duas potências rivais. Moscou sustenta que Cherkasov responde a acusações de tráfico de drogas em território russo e deve ser devolvido como criminoso comum. Os EUA, por sua vez, querem julgá-lo por atividades clandestinas de inteligência. A demora na execução da entrega alimenta suspeitas de favorecimento político e gera críticas sobre eventual tolerância brasileira a atos de espionagem.

Questionamentos jurídicos

A decisão final sobre o destino do russo depende da conclusão de inquéritos pendentes no Brasil. Advogados que acompanham o processo alertam que manter investigações abertas indefinidamente pode ferir o princípio constitucional da duração razoável do processo. Integrantes do governo afirmam que o caso segue “em tramitação” e será resolvido “no momento adequado”.

Com o prazo de dez dias imposto por Fux, o Ministério da Justiça deverá detalhar quais etapas ainda faltam para a efetivação da extradição e justificar a paralisação do procedimento.

Com informações de Gazeta do Povo

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