Brasília – A menos de dez dias da votação de 4 de outubro, o andamento de apurações ligadas ao Banco Master permanece estagnado por decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e por solicitações da defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A paralisação afeta tanto a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), quanto a tentativa de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado.
Operação Compliance Zero sem novas fases desde julho
A décima etapa ostensiva da Operação Compliance Zero ocorreu em 9 de julho, quando a PF cumpriu mandados contra o publicitário Thiago Miranda. Desde então, nenhum outro desdobramento foi autorizado, apesar de agentes considerarem volumoso o material já apreendido — estimado por fontes ouvidas pela Gazeta do Povo como suficiente para até 60 novas fases.
A inércia ganhou força em agosto, depois que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou que o relator original, André Mendonça, lhe enviasse os processos relativos aos casos Master e INSS. A mudança de relatoria levou a PF a suspender temporariamente pedidos de novas ações de busca e apreensão.
Zanin nega liminar para CPI do Master
Outro freio veio em 22 de setembro, quando o ministro Cristiano Zanin negou pedido do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar a CPI do Banco Master. O requerimento para a comissão foi apresentado em 9 de março com 41 assinaturas — catorze a mais que o mínimo constitucional de 27. Zanin solicitou esclarecimentos a Alcolumbre antes de reavaliar o caso, mantendo a iniciativa parada.
Com o Congresso sem sessões marcadas nas próximas semanas, a possibilidade de abertura da CPI antes do primeiro turno torna-se remota, reduzindo a chance de que convocações ou quebras de sigilo influenciem o período eleitoral.
Petição sobre ministros parada por pedido de vista
Dentro do STF, Fachin assumiu procedimentos que investigam possíveis envolvimentos de ministros da Corte com o Banco Master após críticas de colegas à condução de Mendonça. Em 15 de setembro, o plenário começou a analisar duas petições: uma baseada em dados extraídos do celular de Vorcaro que implicariam Alexandre de Moraes; outra, pedido de Moraes para investigar Mendonça a partir de relatórios da PF. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem data para retomada.
Enquanto isso, Mendonça permanece formalmente responsável pelas demais frentes do inquérito envolvendo políticos, lobistas, servidores e empresários. Contudo, desde julho o gabinete dele não responde a solicitações adicionais da PF, o que, somado à crise interna, diminuiu o ritmo das apurações.
Gigabytes de documentos públicos e parte do material sob sigilo
Em setembro, o STF liberou cerca de 25,3 GB de arquivos — documentos, áudios e vídeos — distribuídos em 15 procedimentos. Dois deles concentram mais de 2 mil registros cada. Permanecem protegidos por sigilo aproximadamente 160 documentos que contêm dados bancários, fiscais e diligências em curso.

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Depoimentos de Vorcaro são adiados
A PF remarcou dois depoimentos de Daniel Vorcaro, previstos originalmente para 24 e 30 de setembro, após pedido de seus advogados. A defesa alega não ter tido acesso completo ao material reunido pela investigação e requer prazo mínimo de dez dias úteis para análise, invocando a Súmula Vinculante 14 do STF. As novas datas tendem a ultrapassar o primeiro turno.
Uma das oitivas apura transações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A outra aborda a suposta estrutura chamada “A Turma”, apontada como responsável por monitorar pessoas e pressionar adversários.
PGR deve opinar sobre pedidos pendentes
Em 25 de setembro, Fachin determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifeste-se, em até cinco dias, sobre requerimentos pendentes nos casos Master e INSS. Entre eles estão solicitações para revogar prisões, manifestação de Mendonça sobre relatório policial e pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para assegurar o sigilo de comunicações de defensores.
Com os desdobramentos decisivos postergados, as investigações seguem oficialmente abertas, porém sem atos públicos capazes de repercutir antes de 4 de outubro.
Com informações de Gazeta do Povo
