O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, neste sábado, 26 de setembro de 2026. Pela rede social X, o magistrado afirmou que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) de não instaurar investigação no caso Banco Master “confirma a lisura de um homem íntegro”.
Gilmar não mencionou a fotografia de Gonet ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro em uma degustação de uísque e charutos, realizada em Londres, nem as mensagens extraídas do celular do empresário que indicam proximidade entre ambos. A abertura de investigação criminal contra o procurador-geral foi rejeitada pelo conselho por cinco votos a quatro.
Decisão do conselho
Por unanimidade, os conselheiros entenderam que caberá ao STF decidir se a relação de Gonet com Vorcaro impede sua atuação em processos que envolvem o Banco Master. O colegiado, porém, não declarou a inocência do chefe do Ministério Público Federal.
Contradição pública
Em 15 de setembro, Gonet declarou ter encontrado Vorcaro apenas uma vez, em compromisso “brevíssimo e banal”. Três dias depois, veio à tona a fotografia em Londres, cuja autenticidade foi confirmada pela PGR. Registros da Polícia Federal mostram mensagens supostamente enviadas por Gonet nas quais ele manifesta saudades do banqueiro, comemora o convite para o evento e demonstra interesse em levar o filho à viagem, mencionando preferência por charutos e uísque Macallan.
Críticas a André Mendonça
No mesmo post, Gilmar Mendes criticou a decisão do ministro André Mendonça, que afastou cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Usuários do X acrescentaram nota de contexto lembrando o artigo 36, inciso III, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que proíbe juízes de opinar publicamente sobre processos em andamento ou depreciar decisões de outros órgãos judiciais fora dos autos.

Imagem: Internet
O jurista Enio Viterbo, doutor em História pela Universidade de Lisboa, afirmou na mesma rede social que as declarações de Gilmar “não fazem parte da atividade jurisdicional” e podem ser analisadas em eventual ação de responsabilização.
Com informações de Gazeta do Povo
