A Casa de Custódia de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, instalou nesta terça-feira (10) câmeras de segurança voltadas para a porta da cela em que está o ex-assessor especial da Presidência Filipe Martins. A providência foi confirmada pelo deputado estadual Ricardo Arruda (PL), vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Paraná.
O reforço na vigilância ocorreu depois de cobranças direcionadas ao governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD). Familiares e aliados de Martins alegavam risco de agressões em um setor do presídio que não dispunha de monitoramento por vídeo. Entre as vozes que pressionaram o governo estadual esteve o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que divulgou um vídeo pedindo que Ratinho não fosse “cúmplice” de um eventual crime.
Nova cela individual e monitorada
De acordo com Arruda, que permaneceu cerca de duas horas no estabelecimento prisional, todas as solicitações apresentadas pela defesa foram atendidas. Além das câmeras, Filipe Martins será transferido para outra cela, também individual, já equipada com sistema de vigilância e com paredes pintadas. A cela atual, com menos de quatro metros quadrados e revestida de chapisco, provoca escoriações em contatos acidentais, segundo relatos da família.
O receio principal, contudo, era a falta de monitoramento contínuo. A direção da Casa de Custódia havia informado que não teria condição de conter um motim caso detentos se revoltassem contra a presença do ex-assessor, preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Transferência revogada pelo STF
No início do mês, após um princípio de rebelião motivado por queixas de tratamento diferenciado a Martins, a Polícia Penal encaminhou o ex-assessor ao Complexo Médico Penal do Paraná. O presídio de Ponta Grossa alegou não ter estrutura para gerenciar o tumulto. Poucas horas depois, porém, Moraes ordenou o retorno do detento à Casa de Custódia, decisão baseada em ofício que mencionava “urgência operacional”, mas não o motim.
Imagem: Rosinei Coutinho
No sábado (7), o ministro ainda determinou uma vistoria no local. A operação contou com apoio aéreo e participação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público do Paraná, sem a presença da defesa de Martins.
Com a instalação das câmeras e a mudança de cela, aliados do ex-assessor avaliam que o principal ponto de preocupação — a ausência de monitoramento — foi atenuado.
Com informações de Gazeta do Povo
