Palmas — A Operação Sinal Vermelho, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins, revelou uma rede que vendia Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) sem que os candidatos cumprissem exames, aulas ou testes obrigatórios.
Como funcionava a fraude
De acordo com a investigação, servidores do Detran-TO manipulavam o sistema eletrônico do órgão para inserir presença fictícia em aulas teóricas e práticas, registrar exames inexistentes e aprovar testes sem que fossem realizados. Médicos e uma psicóloga validavam laudos que nunca ocorreram, enquanto instrutores de autoescola confirmavam treinamentos inexistentes.
Quanto custava a habilitação falsa
Os valores cobrados variavam entre R$ 500 e R$ 4,3 mil. O pagamento garantia que todas as etapas aparecessem como concluídas no sistema, resultando na emissão da CNH.
Quem são os investigados
Entre os alvos estão servidores do Detran, instrutores de Centros de Formação de Condutores, seis médicos, uma psicóloga e um funcionário de uma empresa terceirizada responsável pela impressão das habilitações. A polícia cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 59 de busca e apreensão em oito cidades tocantinenses e em Imperatriz (MA). Os nomes não foram divulgados.
Irregularidades também em veículos
Além das CNHs, o grupo teria regularizado veículos furtados, roubados ou clonados. Segundo os investigadores, dados falsos eram lançados no sistema e vistorias obrigatórias eram omitidas, permitindo a emissão de documentação para automóveis irregulares.
Posicionamento do Detran-TO
Em nota, o Departamento Estadual de Trânsito informou que já havia afastado servidores e suspendido credenciados suspeitos antes da operação, além de ter colaborado com o envio de informações à polícia. O órgão reforçou o compromisso com a transparência e mantém canais para denúncias.
Imagem: Internet
Próximos passos
Os investigadores ainda analisam os materiais apreendidos para medir a extensão do esquema, identificar quantos candidatos foram beneficiados e apurar possíveis ramificações fora do estado. A perícia em sistemas e documentos deverá indicar se houve enriquecimento ilícito e a participação de mais pessoas.
As apurações continuam e novas medidas judiciais não estão descartadas.
Com informações de G1
