Palmas — A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista em um contrato de R$ 139 milhões para terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital, apresentou-se na manhã desta segunda-feira (15) no Fórum de Palmas.
Foragida desde 10 de junho, Cláudia é alvo da segunda fase da Operação Falsa Emergência, conduzida pela Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor). Ela chegou ao fórum acompanhada por um advogado, passou por audiência de apresentação e, em seguida, teve o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil.
Após os trâmites iniciais, a empresária foi levada para exame no Instituto Médico Legal (IML) e, posteriormente, encaminhada ao Quartel do Comando-Geral (QCG), onde ficará à disposição da Justiça juntamente com os demais detidos na mesma operação.
Ligação com contrato e investigação
O Ministério Público sustenta que Cláudia representava a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, entidade que venceu a dispensa de licitação e firmou contrato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semus). A instituição nega qualquer vínculo com a empresária.
Na mesma investigação permanecem presos a secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. As defesas de ambos informaram ter obtido liminar que garante acesso aos autos e aguardam consulta aos documentos para pedir a revogação das prisões.
Carro de luxo alugado
Relatórios do Ministério Público apontam que, um dia antes da assinatura da justificativa que dispensou o chamamento público, Cláudia alugou um BMW X1 S20i M Sport (ano/modelo 2025/2026) por 24 meses, a um custo total de R$ 228.576 (R$ 9.524 mensais). O veículo teria sido entregue a Andreis Vicente, que o utilizava regularmente.
Para os investigadores, o aluguel pode configurar vantagem indevida, já que o valor não condiz com a renda do servidor. Documentos também indicam viagens de Cláudia e do superintendente a São Paulo durante o período investigado.
Imagem: Internet
Fundamentos da prisão preventiva
O Judiciário justificou a medida cautelar pela gravidade dos fatos, pelo montante envolvido e pelo risco de continuidade das supostas irregularidades, uma vez que o contrato investigado segue em execução com repasses milionários.
Outras ações contra a empresária
Cláudia Fernanda também responde a uma ação de improbidade administrativa e a um inquérito por possíveis irregularidades na compra de insumos de saúde em 2020, que teriam causado desvio de R$ 1 milhão em testes rápidos de Covid-19. O processo tramita na 2ª Vara da Fazenda e Registros Públicos de Palmas e aguarda decisão desde 21 de maio de 2026.
Posicionamentos
A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria-Geral do Município, informou que acompanha o caso e ainda aguarda acesso oficial aos autos para se manifestar. A gestão municipal garantiu que os atendimentos nas UPAs Sul e Norte continuam normalmente.
Com informações de G1
