Um novo modelo cosmológico apresentado por pesquisadores no repositório arXiv sugere que o Big Bang pode não ter sido o ponto de partida absoluto do cosmos. De acordo com o trabalho teórico, o evento teria marcado um “rebote” – o chamado Big Bounce – de um universo anterior que colapsou sobre si mesmo. Nesse processo, buracos negros extremamente densos teriam sobrevivido à contração e retornado na fase de expansão, funcionando como “fósseis gravitacionais”.
O que diz a proposta
A hipótese do Big Bounce elimina a necessidade de uma singularidade com densidade infinita. Em vez disso, as leis da gravidade quântica em laços (Loop Quantum Gravity) agiriam como uma mola, impedindo o colapso total e impulsionando a nova expansão. Objetos que atingem determinada densidade crítica – como os núcleos de grandes buracos negros – poderiam atravessar o “gargalo cósmico” praticamente intactos.
Indícios observacionais
Entre as pistas que fortalecem a ideia estão buracos negros supermassivos detectados em épocas muito próximas ao Big Bang tradicional. Segundo astrônomos, esses objetos não teriam tido tempo para crescer apenas com a absorção de gás ou pela fusão de estrelas, indicando que já nasceram com grandes massas. Além disso, irregularidades no Fundo Cósmico de Micro-ondas (CMB) poderiam denunciar marcas gravitacionais deixadas por esses remanescentes no ciclo anterior.
Três categorias de buracos negros
O estudo diferencia três tipos principais de buracos negros:
- Estelar – surge do colapso de estrelas massivas e desempenha papel comum na evolução galáctica.
- Primordial – resultado de flutuações logo após o Big Bang convencional; candidato a matéria escura.
- Fóssil – resquício de um universo antecedente, potencial evidência do Big Bounce.
Implicações para a física
Se confirmada, a existência de buracos negros fósseis altera a visão sobre a origem do tempo e exige revisão das leis termodinâmicas para explicar como a entropia não inviabiliza ciclos sucessivos. O foco da cosmologia passaria de buscar um início absoluto para entender quais estruturas atravessam cada transição entre universos.
Imagem: inteligência artificial
Próximas gerações de instrumentos de observação espacial, inclusive detectores de ondas gravitacionais mais sensíveis, devem ajudar a procurar assinaturas desses objetos e testar a possibilidade de que parte do que vemos hoje seja mais antiga do que o próprio universo visível.
Com informações de Olhar Digital
