Mesmo com a troca de governo nos Estados Unidos e alterações no alto escalão da agência, a NASA continua a planejar o lançamento da missão Artemis 2 para o primeiro semestre de 2026. O voo, classificado como o maior dos últimos 50 anos, será o primeiro teste tripulado do foguete Space Launch System (SLS) e da cápsula Orion.
Mudanças políticas e administrativas
O ano de 2025 começou com a posse de Donald Trump para um novo mandato e, na sequência, com mudanças na agência espacial. Sob influência de Elon Musk — à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) —, o empresário Jared Isaacman foi indicado para administrar a NASA. Inicialmente retirado, o nome de Isaacman voltou à pauta, e ele foi empossado em 17 de dezembro de 2025 pelo juiz federal Timothy Kelly, substituindo Sean Duffy, que comandou a agência durante grande parte do ano.
Musk, defensor de uma ida direta a Marte com a Starship, chegou a classificar o retorno à Lua como “perda de tempo”, mas Isaacman assegurou publicamente a continuidade do programa Artemis, prometendo o regresso humano ao satélite natural ainda no atual governo.
Objetivos do programa
O Artemis pretende restabelecer presença humana na Lua mais de meio século após a última missão tripulada. Entre as metas estão levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra ao solo lunar, além de preparar uma base permanente que apoie futuras viagens a Marte na década de 2030.
Status do cronograma
A Artemis 2 foi adiada de 2024 para 2025 e, depois, para 2026. Apesar do histórico de atrasos, testes recentes do SLS mantêm a janela de lançamento nos primeiros meses de 2026. Já a Artemis 3 enfrenta maior incerteza: um cronograma interno da SpaceX, obtido pelo site Politico, indica a missão tripulada para setembro de 2028. O documento lista ainda:
- Demonstração de reabastecimento orbital entre Starships em junho de 2026;
- Pouso lunar não tripulado em junho de 2027.
Em 2025, a SpaceX realizou cinco lançamentos da Starship; os três primeiros perderam o estágio superior, enquanto os dois últimos, na versão Block 2, completaram pousos suaves no oceano.
Retrospecto da Artemis 1
A missão inaugural, não tripulada, decolou em 16 de novembro de 2022 da plataforma LC-39B, no Centro Espacial Kennedy (Flórida), às 3h47 (horário de Brasília). A Orion orbitou a Lua, atingiu 100 km de altitude na passagem mais próxima e regressou à Terra em 11 dias, após queima de 207 segundos em 5 de dezembro. Três manequins a bordo mediram efeitos de radiação para futuras tripulações.
Imagem: Bill Ingalls NASA
Perfil do voo Artemis 2
A segunda missão seguirá trajeto parecido, mas com astronautas. Os principais pontos são:
- Provar sistemas de suporte à vida, comunicações e controle de voo;
- Alcance de cerca de 448 400 km da Terra, incluindo passagem a 10 300 km do lado oculto lunar;
- Separação do segundo estágio ICPS quase 24 h após a decolagem, seguida de manobra de alinhamento conduzida pela tripulação;
- Queima de injeção translunar executada pelo Módulo de Serviço Europeu (Airbus);
- Retorno à Terra em viagem de aproximadamente quatro dias.
Embora faça o sobrevoo próximo, a Artemis 2 não pousará na Lua. A operação servirá de ensaio para a Artemis 3, que depende da integração entre Orion, SLS e o módulo de pouso Starship.
Até o momento, a NASA mantém oficialmente a Artemis 3 para 2027, enquanto aguarda a apresentação formal do cronograma revisado pela SpaceX.
Com informações de Olhar Digital
