Brasília – O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT) afirmou concordar com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, posicionando-se de forma distinta da orientação atual de seu partido.
Em conversa publicada pelo jornal O Globo na quinta-feira, 11 de junho, Santana declarou: “O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”.
A declaração surge após o governo dos Estados Unidos incluir as duas facções em sua lista de grupos terroristas. No dia seguinte ao anúncio da Casa Branca, o Palácio do Planalto divulgou nota reconhecendo que o crime organizado gera terror na população, mas rejeitando a aplicação do conceito de terrorismo às facções brasileiras.
O comunicado presidencial também citou a família Bolsonaro, acusando “falsos patriotas” de explorar o tema e alertando para risco de intervenção estrangeira. A equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, vem usando a discordância interna no PT para apontar suposta leniência do partido com o crime organizado.
Entre os defensores da designação norte-americana, o argumento principal é que PCC e CV espalham medo por meio da violência armada e do controle territorial, o que justificaria tratamento equivalente ao de grupos terroristas. Já opositores sustentam que o terrorismo, por definição, exigiria motivação ideológica e atos simbólicos, enquanto as facções teriam como objetivo principal o lucro proveniente do domínio de comunidades.
Imagem: Marina Ramos
A discussão reacendeu o debate sobre segurança pública após a Operação Contenção, realizada contra a expansão do Comando Vermelho em comunidades do Rio de Janeiro. A ação, que resultou em 122 mortes, tornou-se a mais letal da história do país.
Com informações de Gazeta do Povo
