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Conselho do MPF decide hoje se Paulo Gonet continua à frente dos casos do Banco Master

Brasília – O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) reúne-se nesta sexta-feira (25) para analisar a permanência do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos procedimentos que investigam o Banco Master. O debate foi motivado por mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e por representação apresentada em 2 de setembro por deputados do Partido Novo.

O que está em jogo

No encontro de hoje, o colegiado poderá:

  • arquivar o procedimento, mantendo Gonet nos casos;
  • afastar o PGR apenas dos processos relacionados ao Banco Master;
  • abrir sindicância ou processo administrativo;
  • remeter o material para investigação, caso vislumbre indícios de crime comum.

Mesmo um eventual afastamento das investigações não implica perda do cargo de procurador-geral, já que a destituição do PGR depende de iniciativa do presidente da República e aval da maioria absoluta do Senado.

Origem da controvérsia

As conversas de Vorcaro, apreendidas pela PF, mencionam “Paulo” e “Gonet”, interpretados como referência ao chefe do Ministério Público e a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. Em março de 2025, o advogado Ciro Soares enviou ao ex-banqueiro uma foto com Gonet e sugeriu uma ligação – ação que gerou quatro chamadas de voz registradas pela polícia. Já em abril de 2024, Gonet teria sido convidado para um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master, ocasião em que, segundo as mensagens, manifestou interesse em charutos, uísque Macallan e na presença de seu filho.

Ao STF, no último dia 15, Gonet reconheceu ter encontrado Vorcaro apenas nesse evento, classificando o contato como “brevíssimo e banal” e negando qualquer proximidade ou interferência nas investigações.

Relatoria e possíveis efeitos

O procedimento é relatado pelo subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino. Caso o Conselho veja indícios de infração penal, designará outro subprocurador para conduzir a análise do inquérito, podendo solicitar diligências, pedir arquivamento ou apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal.

Especialistas apontam que um reconhecimento formal de falta de imparcialidade do PGR pode alimentar pedidos de anulação de provas colhidas em processos ligados ao Banco Master.

Mandato e vitaliciedade

Reconduzido ao cargo em 19 de dezembro de 2025, Paulo Gonet tem mandato de dois anos, com término previsto para dezembro de 2027. Como membro de carreira do MPF, possui vitaliciedade; portanto, só poderia perder o cargo efetivo por sentença judicial transitada em julgado.

A sessão do CSMPF está marcada para as 10h, em Brasília, e será transmitida pelo canal oficial do Ministério Público Federal.

Com informações de Gazeta do Povo

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