A corrida global por aplicações de inteligência artificial intensificou a procura por DRAM, NAND e discos rígidos, criando um cenário de escassez desses componentes. Mesmo com preços em alta e lucros recordes, as principais fabricantes de memória resistem a ampliar rapidamente a capacidade produtiva, receosas de repetir prejuízos de ciclos anteriores.
Mercado aquecido, oferta apertada
Data centers construídos para sustentar modelos de IA consomem volumes crescentes de memória e armazenamento. De acordo com o analista Joe Moore, do Morgan Stanley, há um “descompasso geracional” entre oferta e demanda, refletido em valores elevados para os chips.
Resultados recordes
No último trimestre, a Micron registrou receita e lucro operacional históricos graças ao encarecimento dos componentes. A Samsung projeta que seu lucro operacional do quarto trimestre triplicará em relação ao ano anterior.
Investidores comemoram
O bom momento se estende às bolsas: em 2025, as ações de Micron, Seagate e Western Digital mais que dobraram. A Sandisk, após se separar da Western Digital no início do ano, multiplicou seu valor de mercado por dez, enquanto a SK Hynix acumula expressiva valorização.
IA sustenta a procura
Analistas relacionam a demanda a quatro fatores principais:
- GPUs de empresas como Nvidia e AMD exigem grandes quantidades de DRAM de alto desempenho;
- O processamento dos modelos gera vastos volumes de dados, que precisam ser guardados em HDDs e SSDs;
- O ritmo anual de lançamentos de chips pressiona por memórias mais rápidas e com maior capacidade;
- Gigantes de tecnologia mantêm investimentos recordes em infraestrutura.
Estimativas da Bernstein apontam aumento médio de 19% ao ano nos embarques de soluções de armazenamento até 2029, acima da média da última década. Já os gastos de capital de Amazon, Google, Microsoft e Meta somaram US$ 407 bilhões em 2025 e podem ultrapassar US$ 520 bilhões neste ano.
Imagem: Michael Vi
Cautela na expansão
Apesar do cenário promissor, as fabricantes preferem crescer de forma gradual. A Seagate é a única que planeja um aumento mais substancial nos investimentos, ainda dentro do seu histórico de capital. Na Sandisk, o avanço previsto é de 18% no atual exercício fiscal, ante alta de 44% na receita.
Segundo o CEO da Sandisk, David Goeckeler, a ausência de contratos de longo prazo torna arriscada a construção de fábricas que levam anos para serem concluídas. “O lado da demanda talvez precise assumir compromissos mais longos”, afirmou o executivo, reforçando que a prudência continua a orientar as decisões do setor.
Com informações de Olhar Digital
