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Fachin solicita reunião com diretor-geral da PF sobre suspeitas de ministros no Caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pedindo uma reunião para discutir o suposto envolvimento de ministros da Corte no Caso Master. O documento, encaminhado na tarde desta sexta-feira (2), foi revelado pela GloboNews e confirmado pela reportagem.

No texto, Fachin afirma estar disposto a “investigar tudo, sem exceção de fatos ou pessoas”, em meio à crise institucional que atinge o STF desde setembro. A turbulência teve início após o avanço das investigações sobre o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 na esteira da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

Origem do escândalo

Controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, o Banco Master é acusado de fraudes bilionárias envolvendo a compra e venda de carteiras de crédito sem lastro. A apreensão do celular de Vorcaro levou a PF a identificar mensagens, encontros e relações que alcançariam políticos, senadores e pelo menos cinco ministros do STF.

Retirada de sigilo e divisão interna

O estopim ocorreu no início de setembro, quando o ministro André Mendonça, relator do inquérito após a saída de Dias Toffoli, tornou público um relatório da PF. O documento listava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número associado a Alexandre de Moraes antes da prisão do banqueiro, além de encontros pessoais e a revisão, por Moraes, de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua esposa.

Moraes negou irregularidades e pediu que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade, dando início a uma troca de decisões conflitantes que envolveu, inclusive, o comando da Polícia Federal.

Intervenção de Fachin

Para conter a escalada, Fachin suspendeu decisões monocráticas divergentes, retirou o caso do inquérito das fake news conduzido por Moraes, determinou o levantamento de sigilos e levou o tema ao plenário. A partir daí a Corte se dividiu: de um lado, ministros alinhados a Mendonça — Luiz Fux, Toffoli e Nunes Marques; de outro, os que apoiam Moraes — Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Repercussões

A crise já provocou atraso na pauta do tribunal, alimentou discussões sobre a criação de um código de ética para ministros e chegou ao Tribunal Superior Eleitoral às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. Juristas classificam o episódio como inédito, dado o nível de acusações públicas entre membros do próprio STF.

Nas primeiras semanas de outubro, o impasse segue sem solução definitiva, com pedidos de vista adiando a conclusão do caso.

Com informações de Gazeta do Povo

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