Brasília — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), firmou em junho de 2026 um acordo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva para bloquear iniciativas conservadoras e projetos de grande impacto fiscal que chegarem ao plenário.
Com a parceria, Motta passou a atuar como um filtro da agenda do Palácio do Planalto. Entre as propostas engavetadas está a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, medida que conta com aprovação de 90% da população, segundo pesquisas recentes. O deputado evita instalar a comissão especial necessária para que o texto avance, mantendo o tema fora de votação em ano eleitoral.
O acerto também mira as chamadas “pautas-bomba” — projetos aprovados no Senado que podem gerar despesas extras estimadas em R$ 215 bilhões. Ao retardar a análise dessas matérias, Motta funciona como um “escudo fiscal” para a equipe econômica, que teme desequilíbrio nas contas públicas.
A aproximação traz benefícios políticos ao parlamentar. Além de consolidar sua liderança interna na Câmara, Motta busca apoio ou, pelo menos, neutralidade do PT na Paraíba, onde seu pai é pré-candidato ao Senado em 2026.
Imagem: Ricardo Stuckert
Analistas avaliam que a aliança é pontual e motivada pela conjuntura eleitoral. Não há mudança ideológica declarada: o governo atende demandas do deputado — como ajustes em regras de escala de trabalho — e, em troca, recebe proteção contra votações consideradas desfavoráveis.
Com informações de Gazeta do Povo
