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Médico vira réu por morte de jovem após crise de asma em UPA de Caldas Novas

O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou por homicídio culposo o médico que atendeu Francisco Guilherme da Costa Silva, 24 anos, morto depois de sofrer uma crise de asma na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caldas Novas, no sul do estado, em fevereiro de 2025. A Justiça já recebeu a acusação, dando início à ação penal.

Espera prolongada e agravamento do quadro

Com histórico de asma desde a infância e uso diário de salbutamol, o paciente foi levado pela mãe à UPA após apresentar dificuldade respiratória. Classificado inicialmente como caso de urgência menor, aguardou cerca de 1h40 por atendimento; nesse intervalo, a condição piorou.

A mãe buscou auxílio de um médico que passava pelo corredor. Francisco foi então encaminhado à sala vermelha, onde o profissional denunciado, em seu primeiro plantão na unidade, assumiu o caso.

Procedimentos e falhas na intubação

Conforme a denúncia, a equipe administrou oxigênio e medicamentos, além de utilizar dispositivos para manter as vias aéreas abertas. Diante da piora, o médico optou pela intubação orotraqueal, realizada após duas tentativas. Laudo pericial indica que o tubo foi colocado em posição inadequada.

Horas depois, uma médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) identificou que o tubo não estava na traqueia e havia se dobrado próximo à epiglote, desviando o ar para o abdômen. Mesmo assim, o paciente continuou recebendo ventilação mecânica com pressão elevada.

Barotrauma e parada cardiorrespiratória

Francisco sofreu parada cardiorrespiratória; a equipe realizou manobras de reanimação e aplicou adrenalina, mas ele não resistiu. Exame cadavérico apontou pneumotórax, hemotórax e enfisema subcutâneo, lesões compatíveis com barotrauma decorrente da ventilação mecânica invasiva.

O laudo também concluiu que o posicionamento inadequado do tubo agravou o quadro e dificultou a estabilização do paciente.

Irregularidades no prontuário

O MPGO destaca falhas nos registros médicos: ausência de detalhes sobre exame físico, ausculta pulmonar e cardíaca, frequência respiratória, evolução clínica e falta de gasometria arterial, exame essencial para avaliar oxigenação e níveis de gás carbônico.

Recusa de acordos e pedido de indenização

Antes da denúncia, o órgão ofereceu ao médico um Acordo de Não Persecução Penal e a suspensão condicional do processo; ambas as propostas foram recusadas. A promotoria pede indenização mínima de R$ 200 mil para a família, sem prejuízo de eventual ajuste de valor ao longo do processo.

A responsabilidade criminal do profissional será definida ao término da ação penal.

Com informações de Metrópoles

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