','

'); } ?>

Perícia da PF encontra mensagens de Vorcaro, mas conteúdo escrito por Moraes segue inalcançável

Brasília – A perícia realizada pela Polícia Federal (PF) conseguiu reconstruir parte das 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, mas, até o momento, não foi possível revelar o que o magistrado teria respondido. Segundo investigadores, somente o exame no telefone do ministro permitiria buscar esses dados, cenário considerado improvável.

Como os peritos recuperaram os textos de Vorcaro

O relatório de 218 páginas da PF, tornado público em 15 de setembro de 2026 pelo ministro André Mendonça, detalha que Vorcaro, em algumas ocasiões, redigia suas mensagens no aplicativo Notas do iPhone, capturava a tela e enviava a imagem pelo WhatsApp no modo de visualização única. Mesmo que o conteúdo desaparecesse do aplicativo após a leitura, o aparelho manteve arquivos temporários relacionados à captura, além de registros de uso dos aplicativos e horários de envio.

Ao cruzar esses vestígios – data e hora de acesso ao Notas, instante da captura de tela e momento do envio no WhatsApp – os peritos montaram uma linha cronológica capaz de revelar o texto encaminhado pelo ex-banqueiro.

Limites para descobrir o que Moraes escreveu

Para acessar possíveis respostas de Moraes, seria preciso submeter o telefone associado ao ministro ao mesmo procedimento técnico, buscando registros de banco de dados do WhatsApp, arquivos temporários e outros rastros digitais. Como o magistrado não é investigado e seu aparelho não foi apreendido, não há, no material disponível, qualquer cadeia de vestígios que permita reconstruir o conteúdo que teria partido dele.

Peritos observam que identificar a existência de uma mensagem – inclusive indicações de que foi apagada pelo remetente – é diferente de restaurar seu texto. No caso das comunicações atribuídas a Moraes, somente aparece o aviso de remoção de conteúdo.

Cenário no Supremo Tribunal Federal

A publicização do relatório levou o STF a uma crise interna inédita. Na sessão de 15 de setembro, marcada para decidir se o documento seria validado e se Moraes passaria a ser investigado, discussões entre ministros impediram avanço do julgamento. O processo foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que tem até 90 dias para devolvê-lo ao plenário.

Na véspera da sessão, Moraes apresentou defesa de 44 páginas ao presidente da Corte, Edson Fachin, rechaçando qualquer conduta ilícita e pedindo a anulação do relatório. Ele não negou ter trocado mensagens ou se encontrado com Vorcaro.

Enquanto o conteúdo das supostas respostas de Moraes continuar inacessível, a perícia sustenta apenas a existência de interlocução, sem detalhar o teor das conversas.

Com informações de Gazeta do Povo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *