O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra, o apontado líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras quatro pessoas. Eles são acusados de integrar uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro da facção.
Segundo a promotoria, entre 2018 e 2025 o grupo teria usado empresas de fachada para ocultar e reinserir recursos ilícitos na economia formal. O principal instrumento citado é a Lopes Lemos Transportes Ltda., também conhecida como Transportadora Lado a Lado. A companhia, de acordo com a investigação, recebia ordens de Marcola e de outro suspeito para repassar os valores a integrantes da rede.
O MP-SP sustenta que Deolane recebia depósitos fracionados da transportadora em contas próprias, o que mascararia a origem dos recursos. A influenciadora ainda planejava, conforme a denúncia, reestruturar empresas e transferi-las para fundos no exterior, completando o processo de lavagem.
Um dos denunciados atuaria como operador intermediário, supervisionando prestações de contas e fluxo de valores. Familiares de Marcola também teriam recebido parcelas dos rendimentos ilícitos para redistribuição, seguindo instruções do comando da facção.
Pedidos de liberdade negado e situação dos investigados
Na terça-feira (9), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou pedido de habeas corpus apresentado por Deolane, presa desde 21 de maio. Marcola está detido desde 1999. Dois dos seis denunciados encontram-se foragidos no exterior, informou o MP-SP.
Defesas
O advogado Aury Lopes, que representa a influenciadora, afirmou que ela não possui vínculo com o PCC e que sua prisão é “desnecessária e midiática”. Ele destacou que Deolane é mãe de uma criança com menos de 12 anos, o que, segundo a defesa, reforçaria a necessidade de liberdade. Já Marcola argumenta que, preso há mais de duas décadas, não teria condições de comandar esquemas financeiros.
Imagem: Ricardo Stuckert
Relação com a Operação Vérnix
As suspeitas contra Deolane derivam também da Operação Vérnix, conduzida pelo MP e pela Polícia Civil paulista. As apurações indicam ligação da influenciadora com pessoas próximas a Marcola entre 2022 e 2024. Ela sustenta ter atuado como advogada do líder da facção e que foi presa no exercício da profissão.
Todos os denunciados negam as acusações. O caso segue sob análise da Justiça paulista.
Com informações de Gazeta do Povo
