A Polícia Federal investiga suspeita de lobby para que o Ministério da Saúde adquirisse 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo valor total de R$ 626 milhões. O plano, segundo a PF, teria sido articulado por aliados de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
Como funcionaria a negociação
O grupo pretendia aproveitar decisões judiciais que obrigam o governo a fornecer medicamentos não incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta previa que a pasta comprasse um grande estoque do derivado da maconha para atender futuras ordens da Justiça, apresentando a ideia como forma de “economia” diante da chamada judicialização da saúde.
Quem está na mira da investigação
Além de Lulinha, são citados a empresária Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”. Mensagens obtidas pela PF mostram contato do trio com o então chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro (“Marcola”), e com o ex-secretário-executivo da Saúde Swedenberger Barbosa. Em um dos diálogos, Roberta menciona a compra de joias para Marcola, o que reforça a suspeita de tráfico de influência.
Viagem a Portugal em 2024
Em novembro de 2024, Lulinha viajou a Portugal com as despesas pagas por Camilo. No mesmo período, o empresário tratou de projeto industrial para produção de cannabis medicinal no país europeu. A defesa de Lulinha confirma a viagem, porém nega finalidade comercial irregular, alegando interesse pessoal, já que um parente faz uso terapêutico do composto.
Posicionamentos
O Ministério da Saúde afirma que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que nunca houve discussão interna para compra em larga escala do produto. As defesas de Lulinha e Roberta Luchsinger negam qualquer irregularidade, classificam a apuração como perseguição política e dizem que a minuta de contrato não avançou dentro da pasta. Roberta sustenta que valores recebidos de Camilo referem-se a consultorias.

Imagem: Internet
As investigações seguem em andamento, e até o momento não há contratos firmados nem indiciamentos decorrentes do caso.
Com informações de Gazeta do Povo
