Brasília – Relatórios concluídos pela Polícia Federal (PF) apontam ausência de provas do crime de perseguição que motivou buscas contra o jornalista maranhense Luís Pablo, autorizadas em 15 de fevereiro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito investigava eventual “stalking” contra o também ministro do STF Flávio Dino.
O que a PF apurou
Exames em celulares e computadores apreendidos indicam que Pablo não seguiu nem afrontou Dino. Segundo os investigadores, o jornalista recebeu, por aplicativos de mensagens, fotos e informações sobre a circulação do magistrado em locais públicos. Não foram identificados atos que limitassem a liberdade de locomoção ou violassem a privacidade de Dino.
Fonte identificada
Mesmo com a falta de comprovação do delito original, Moraes manteve o inquérito. A quebra de sigilo dos equipamentos levou a PF a identificar o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim como a pessoa que abastecia o jornalista com dados. Mensagens analisadas indicariam tentativa de construir “imagem negativa” de Dino.
Pagamentos sob escrutínio
Os agentes verificam transferências de um advogado a Luís Pablo e apuram se reportagens sobre o uso de veículos oficiais teriam sido influenciadas por interesses políticos ou financeiros de terceiros. O jornalista sustenta que recebeu R$ 100 mil como empréstimo pessoal, meses antes de saber dos fatos noticiados. Cutrim, por sua vez, afirma que a investigação viola o sigilo constitucional da fonte.
Debate sobre liberdade de imprensa
A continuidade do inquérito reacendeu discussões no STF sobre a extensão da proteção a fontes jornalísticas. Moraes defende que o sigilo pode ser relativizado em caso de indícios de crime; críticos alegam que, sem prova da perseguição, a medida ameaça a liberdade de imprensa. O tema trouxe à tona, ainda, propostas de retomar a exigência de diploma para exercer a profissão de jornalista, revogada pelo próprio Supremo em 2009.

Imagem: Internet
Não há prazo divulgado para o encerramento das investigações.
Com informações de Gazeta do Povo
