A Polícia Federal (PF) identificou a entrada de 15 advogados — alguns com vínculos ao Centrão — na cela do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília. As visitas, registradas até o fim de maio, são permitidas por lei, mas suscitaram preocupação entre os investigadores, que suspeitam de tratativas paralelas enquanto se discute um acordo de delação premiada.
Lista de visitantes sob sigilo
Diante da movimentação incomum, a PF determinou sigilo de 100 anos sobre a lista de pessoas que tiveram acesso ao preso. A corporação alega que nomes, horários e documentos apresentados constituem dados sensíveis e precisam ser protegidos para resguardar a segurança e a privacidade dos envolvidos.
Limitação imposta pelo STF
Após pedido da PF, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, reduziu o acesso a Vorcaro. Agora, apenas cinco advogados específicos podem visitá-lo, seguindo normas equivalentes às aplicadas a outros detentos federais. Apesar das restrições, o ex-banqueiro permanece em uma sala de Estado-Maior.
Delação emperrada
As negociações para a delação premiada continuam sem avanços. A primeira proposta, apresentada em maio, foi recusada por ser considerada superficial e por não trazer novos elementos de prova. A PF exige que o ex-banqueiro entregue evidências contra políticos e autoridades ligados ao esquema no já liquidado Banco Master, além de reconhecer crimes que, até agora, ele nega ter cometido.
Cobrança de ressarcimento bilionário
Em paralelo, a corporação solicitou ao STF a fixação de um prazo final para o encerramento das tratativas. Os investigadores argumentam que o regime especial concedido a Vorcaro não pode se prolongar indefinidamente e cobram a devolução de cerca de R$ 60 bilhões em um curto período.
Imagem: SAP-SP
O empresário foi preso no âmbito de investigações sobre fraudes e desvios que teriam ocorrido no Banco Master. As autoridades apuram, ainda, se houve uso da estrutura do banco para beneficiar agentes públicos e privados.
Com informações de Gazeta do Povo
