São Paulo – O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cancelou o registro de candidatura da ex-prefeita de Votorantim, Fabíola Alves (PSDB), após concluir que ela participou de propaganda eleitoral antecipada durante um culto religioso.
A decisão, assinada pelo juiz eleitoral Fabiano Rodrigues Crepaldi, também alcança o então candidato a vice-prefeito Lourival César Silva (PSDB) e o pastor conhecido como Lilo. Os três foram acusados de abuso de poder político e religioso em um evento realizado em 10 de agosto de 2024, na Igreja Quadrangular do Reino de Deus.
Entenda o caso
Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), durante o culto um líder religioso afirmou que 2024 seria “ano de decisões” e defendeu a eleição de, pelo menos, 120 vereadores vinculados ao projeto de cidadania da igreja. Para a Justiça, o pronunciamento teve potencial de influenciar os fiéis e beneficiou os candidatos presentes.
O magistrado avaliou que o espaço religioso foi utilizado de forma indevida para fins eleitorais, configurando propaganda fora do período permitido. Com isso, Fabíola Alves e Pastor Lilo foram declarados inelegíveis por oito anos, além da cassação dos registros de candidatura de Fabíola e de seu vice.
Contratos sob suspeita
O processo também apontou um aumento de 34,10% no valor pago pela Prefeitura de Votorantim à mesma igreja pela locação de um imóvel. O contrato passou de R$ 14.541,06 para R$ 19.500,00 sem justificativas consideradas suficientes, o que reforçou a suspeita de uso inadequado de recursos públicos.
Defesas negam irregularidades
Em nota, a defesa de Fabíola Alves afirmou que sua participação limitou-se ao encerramento do “Culto Especial das Mulheres”, onde agradeceu o convite sem mencionar eleições ou pedir votos. Os advogados classificaram a sentença como “absurda” e anunciaram que recorrerão a todas as instâncias possíveis.
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O pastor Lilo declarou que costuma participar de celebrações religiosas e que não houve intenção eleitoral no evento. A equipe jurídica dele também estuda recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Fabíola Alves disputou a reeleição em 2024, mas foi derrotada por Weber Maganhoto (Republicanos). O julgamento do TRE-SP foi proferido em 21 de maio de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo
